sexta-feira, 22 de maio de 2026

OBESIDADE: Nova caneta para obesidade apresenta resultados próximos aos da bariátrica

Um novo medicamento experimental para tratamento da obesidade apresentou resultados considerados próximos aos obtidos por cirurgias bariátricas em estudo clínico internacional. A Retatrutida, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, levou parte significativa dos participantes a perder mais de 30% do peso corporal após cerca de um ano e meio de acompanhamento.

Os dados fazem parte do estudo clínico TRIUMPH-1, um dos testes de fase três conduzidos pela empresa. A pesquisa envolveu 2.239 participantes com sobrepeso ou obesidade associada a pelo menos uma comorbidade. Segundo os resultados divulgados pela farmacêutica, 45,3% dos pacientes que receberam a dose mais alta do medicamento atingiram redução igual ou superior a 30% do peso corporal ao longo de 80 semanas. O percentual é considerado semelhante aos resultados observados em alguns procedimentos de cirurgia bariátrica.

A retatrutida pertence à nova geração das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade. Apesar dos resultados, a substância ainda está em fase experimental e depende da conclusão das etapas regulatórias para poder ser comercializada. Os testes de fase três representam a última etapa dos estudos clínicos antes da análise das agências reguladoras responsáveis por aprovar ou não a venda do medicamento.

Os participantes da pesquisa foram divididos em quatro grupos diferentes. Três grupos receberam doses semanais da substância — 4 mg, 9 mg e 12 mg — enquanto um quarto grupo recebeu placebo para comparação. Os voluntários não sabiam qual tratamento estavam recebendo durante o estudo. Ao final das 80 semanas, os participantes que utilizaram a menor dose, de 4 mg, apresentaram perda média de 19% do peso corporal, o equivalente a aproximadamente 21,4 kg. Entre os pacientes que receberam 9 mg, a redução média chegou a 27,5%, com queda de cerca de 29,2 kg.

Já o grupo tratado com a dose mais elevada, de 12 mg, registrou perda média de 31,9 kg, equivalente a aproximadamente 28,3% do peso corporal. Para comparação, a dose mais alta do Mounjaro, medicamento também desenvolvido pela Eli Lilly, alcança perda média de cerca de 25,3% após 88 semanas de uso. Segundo Kenneth Custer, presidente executivo e presidente da Lilly Cardiometabolic Health, os resultados indicam potencial para uma nova abordagem terapêutica no tratamento da obesidade.

“Da dose de 4 mg, alcançando quase 20% de perda de peso com um passo de escalonamento (ampliação da dose inicial de 2 mg para a final) até a dose de 12 mg, que proporcionou um nível de perda de peso há muito associado à cirurgia bariátrica, a retatrutida oferece o potencial de uma abordagem centrada no paciente para a obesidade”, afirmou em nota.

A substância é considerada uma evolução dos medicamentos atuais voltados ao controle da obesidade e do diabetes tipo 2. A molécula integra a classe dos agonistas de GLP-1, hormônio responsável por estimular a produção de insulina, retardar o esvaziamento do estômago e aumentar a sensação de saciedade. Medicamentos como Ozempic e Wegovy, desenvolvidos pela Novo Nordisk, atuam apenas sobre o GLP-1. Já o Mounjaro, da própria Eli Lilly, também age sobre o hormônio GIP.

A retatrutida amplia essa atuação por funcionar como um agonista triplo, estimulando simultaneamente o GLP-1, o GIP e o glucagon. Segundo os pesquisadores, esse mecanismo pode explicar o maior efeito observado na redução do peso corporal. Entre os pacientes que utilizaram a dose máxima do medicamento, 45,3% perderam pelo menos 30% do peso corporal e 27,2% atingiram redução igual ou superior a 35% após 80 semanas.

Além da perda de peso, os pesquisadores identificaram melhora em outros indicadores de saúde. Entre os participantes da dose mais alta, 65,3% terminaram o estudo com índice de massa corporal (IMC) inferior a 30, saindo da classificação de obesidade. Entre os participantes que tinham obesidade grau 3 no início da pesquisa, com IMC acima de 40, 37,5% deixaram essa classificação ao fim do acompanhamento.

Por O Correio de Hoje 

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