
As campanhas de Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passaram a disputar nas redes
sociais a narrativa sobre quem venceu o debate da Band. Após o primeiro
confronto do segundo turno, realizado na noite deste domingo 18, cada lado
selecionou momentos favoráveis, publicou cortes e apresentou a própria
avaliação sobre o desempenho dos candidatos.
Não existe um resultado
oficial capaz de apontar o vencedor de um debate. Pesquisas de intenção de voto
realizadas antes do programa também não medem o efeito do confronto. Até a
publicação desta matéria, não havia sido divulgado levantamento eleitoral feito
integralmente depois da transmissão.
Especialistas e jornalistas
apontaram vantagens diferentes para os candidatos, sem consenso sobre o
resultado. Um estudo de repercussão digital indicou maior alcance de Lula nos
vídeos publicados após o programa. Nenhuma dessas avaliações permite concluir
se o debate mudou votos.
O que dizem especialistas e
jornalistas
As avaliações de especialistas
ouvidos por diferentes veículos não apontam um vencedor consensual. Há
concordância de que Flávio apareceu mais confortável no formato e conseguiu
provocar o adversário, enquanto Lula cresceu nos confrontos diretos e teve melhor
desempenho em temas específicos. Também há uma leitura comum de que os ataques
reduziram o espaço para propostas.
Flávio teve mais calma; Lula,
mais experiência
O professor da Fundação
Getulio Vargas (FGV) João Ricardo Matta avaliou que Flávio demonstrou maior
tranquilidade e preparo nos momentos sem confronto. Segundo ele, Lula reagiu
com nervosismo a algumas provocações, mas levou vantagem nos embates frente a
frente pela experiência acumulada em disputas eleitorais.
O cientista político Bhreno
Vieira, doutorando na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), também viu
Flávio mais à vontade com o formato. Para Vieira, porém, nenhum dos candidatos
apresentou desempenho capaz de converter votos de maneira evidente. Ele avaliou
que a estratégia agressiva do senador tumultuou o debate e que Lula aceitou
entrar em confrontos que afastaram a discussão das propostas.
Analista destaca acertos e
limites dos dois
A professora de Ciência
Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mayra Goulart afirmou
que Flávio conseguiu impor a segurança pública como um dos eixos do encontro,
mas foi evasivo diante de perguntas sobre o governo de Javier Milei, a licença-maternidade
e outros temas. Na avaliação dela, Lula teve desempenho mais firme ao falar de
saúde, pandemia e administração do Sistema Único de Saúde.
Mayra também apontou o desafio
para a abertura dos sigilos bancário e telefônico como um momento favorável a
Lula, porque transferiu a pressão para Flávio. A analista ponderou que o
presidente não respondeu de forma suficiente ao desconforto do eleitorado com a
economia, enquanto o senador citou inflação, preço dos alimentos e gastos
públicos sem detalhar soluções para problemas estruturais.