A internação da influenciadora
Bianca Andrade por pielonefrite trouxe ao debate uma infecção que é comum,
tratável e frequentemente subestimada — e cuja recorrência dispara com a idade.
Material de boas práticas do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz, mostra
que a prevalência de infecção do trato urinário recorrente é de 10% a 15% entre
mulheres acima de 60 anos, sobe para 20% após os 65 e chega a algo entre 25% e
50% depois dos 80.
A pielonefrite é a forma alta
da infecção. Pela classificação do CDC reproduzida no documento, infecção do
trato urinário baixa é a cistite, que atinge a bexiga; a alta é a pielonefrite,
que chega aos rins. A distinção não é só anatômica: define a gravidade e a
urgência do tratamento.
O material também separa
infecção não complicada de complicada. Não complicada é o quadro agudo,
esporádico ou recorrente, em mulheres não grávidas, sem anormalidades
anatômicas ou funcionais do trato urinário e sem comorbidades. Complicada é a
que ocorre em gestantes, em pessoas com anormalidades do trato urinário,
cateteres de demora, doenças renais, diabetes, imunossupressão ou transplante
renal — grupos com chance aumentada de evolução desfavorável.
Entre os fatores de risco para
recorrência, o documento lista vida sexual ativa, com frequência de relações
igual ou superior a três vezes por semana associada a chance cinco vezes maior
de infecção; uso de diafragma ou espermicida; novos parceiros; e práticas
inadequadas de higiene genital. Gravidez e fatores obstrutivos, como prolapso
genital, litíase renal e cateterização prolongada, também entram na lista, por
provocarem estase urinária.
A menopausa tem peso próprio.
A queda de estrogênio altera a microbiota e provoca atrofia da mucosa vaginal,
com perda de lactobacilos e elevação do pH — condições que favorecem a
colonização por uropatógenos e a infecção ascendente. Revisão citada no material
aponta que o estrogênio vaginal pode reduzir o número de episódios em mulheres
na pós-menopausa.
A dimensão do problema aparece
numa estimativa que o documento reproduz: 15% de todas as prescrições para
pacientes não internadas são para infecções do trato urinário.
No caso relatado por Bianca
Andrade, não houve sintoma de infecção urinária antes de o quadro evoluir —
quando a bactéria chegou ao rim, vieram as dores nas costas e a febre alta. É o
alerta que o Agora RN já havia registrado em reportagem sobre o
risco de ignorar a vontade de ir ao banheiro e, antes, sobre a
alta incidência da infecção urinária e a prevenção com cuidados simples. O
caso foi publicado por O Correio de Hoje na reportagem “Pielonefrite: entenda o que Bianca Andrade teve”.
Via: Agora
RN





