A Organização Mundial da Saúde
(OMS) confirmou neste domingo, 3 de maio de 2026, pelo menos três mortes
relacionadas a um possível surto de hantavírus, a bordo do navio de cruzeiro MV
Hondius. A embarcação, que viajava da Argentina para Cabo Verde, agora é o
epicentro de uma investigação global que busca entender a dimensão da infecção
e prevenir novas fatalidades, gerando temor entre passageiros, tripulantes e
autoridades sanitárias.
Além dos óbitos, um caso de
hantavírus já foi oficialmente confirmado, e outros cinco estão sob detalhada
investigação, aguardando resultados de testes laboratoriais. A situação acende
um alerta sobre a presença e a letalidade deste vírus silencioso, transmitido
principalmente por roedores, e o risco que representa em ambientes fechados ou
de grande circulação.
O que se sabe sobre o
hantavírus?
O hantavírus é uma cepa viral
traiçoeira, disseminada por roedores. A contaminação humana ocorre, na maioria
das vezes, pela inalação de partículas virais presentes em fezes, urina ou
saliva seca dos animais, suspensas no ar. Embora menos comum, a infecção também
pode ser transmitida por mordidas ou arranhões de roedores, conforme alertam os
Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).
Este invasor invisível pode
desencadear duas doenças graves. A primeira, e mais conhecida nas Américas, é a
Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS). Ela se manifesta inicialmente com
fadiga, febre e dores musculares, evoluindo para dores de cabeça, tonturas,
calafrios e problemas abdominais. Quando os sintomas respiratórios se instalam,
o quadro se agrava, com uma taxa de mortalidade que chega a aproximadamente
38%, segundo o CDC.
No Brasil, a doença se
apresenta como a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), de acordo com o
Ministério da Saúde. Nas Américas, a hantavirose pode variar desde uma febre
aguda inespecífica até síndromes pulmonares e cardiovasculares mais severas e
características, culminando em Síndrome da Angústia Respiratória (SARA) em
casos extremos.
A segunda forma mais comum da
doença globalmente é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), que ataca
principalmente os rins. Os sintomas posteriores incluem pressão arterial baixa,
hemorragia interna e, em seu estágio mais crítico, insuficiência renal aguda,
com consequências devastadoras para os pacientes.
Quantos casos de hantavírus
existem no mundo?
A cada ano, estima-se que 150
mil pessoas sejam acometidas pela HFRS em escala global, com a Europa e a Ásia
concentrando a maioria dos casos. A China, por exemplo, responde por mais da
metade desses registros anuais, de acordo com um relatório dos Institutos
Nacionais de Saúde (NIH).








