O Brasil alcançou, nesta
terça-feira 10, um feito histórico nos Jogos Paralímpicos de Inverno. O
esquiador Cristian Ribera conquistou a medalha de prata na prova de sprint
sentado do esqui cross-country, disputada no Tesero Cross-Country Stadium, em
Val di Fiemme, na região das Dolomitas italianas. É a primeira vez que o país
sobe ao pódio nesta competição.
Aos 23 anos, Ribera chegou à disputa como um dos principais favoritos. Atual campeão da Copa do Mundo da modalidade, o brasileiro teve desempenho dominante ao longo da prova: liderou a fase classificatória e também manteve a primeira colocação durante boa parte da final. Nos metros decisivos do percurso de 1.024 km, no entanto, o chinês Liu Zixu conseguiu ultrapassar o brasileiro e garantir o ouro com o tempo de 2min28s9. Ribera completou a prova em 2min29s6 e ficou com a prata. A medalha de bronze foi conquistada pelo cazaque Yerbol Khamitov, que marcou 2min29s9.
O resultado amplia a presença do Brasil no quadro histórico de medalhas dos Jogos de Inverno. Pouco antes, nos Jogos Olímpicos de Inverno encerrados em 22 de fevereiro, o país já havia conquistado sua primeira medalha na competição com o ouro de Lucas Pinheiro Braathen — atleta norueguês-brasileiro — na prova do slalom gigante do esqui alpino. Com isso, o Brasil passa a ter medalhas em todas as versões dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, tanto nas edições de verão quanto nas de inverno.
A participação atual marca a quarta vez que o país disputa as Paralimpíadas de Inverno. A estreia ocorreu em Sochi-2014, quando o Brasil contou com apenas dois atletas na delegação. Após a prova, Cristian Ribera reconheceu o mérito do adversário chinês e celebrou o resultado histórico. “Queria ganhar a medalha de ouro. Foi muito mais mérito do chinês. Estou muito feliz, é um sonho realizado. A próxima meta, claro, é o ouro”, afirmou o esquiador. Emocionado, o atleta destacou o significado da conquista após anos de dedicação ao esporte. “Estamos competindo há tantos anos, são oito anos no circuito. Poder estar no pódio representando o Brasil me deixa muito orgulhoso”, disse.
Ele ainda tem outras provas pela frente na competição. Ribera voltará às pistas na quarta-feira 11, na prova de 10 km. Também disputará o revezamento misto no sábado 14 e a prova de 20 km no domingo 15. Para Anders Pettersson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), o resultado é fruto de um projeto construído ao longo de mais de uma década. “Estou muito contente e orgulhoso. É um trabalho de longo prazo, quase 12 anos trabalhando. Hoje finalmente conseguimos quebrar essa barreira. É uma medalha inédita para a América Latina. Todos estão de parabéns, fizemos um trabalho fantástico”, afirmou.
Natural de Cerejeiras, em Rondônia, e criado em Jundiaí, no interior de São Paulo, Ribera disputa sua terceira edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno. A estreia ocorreu em PyeongChang-2018, na Coreia do Sul. Na ocasião, com apenas 15 anos, ele terminou em sexto lugar na prova de 15 km do esqui cross-country, resultado que foi o melhor desempenho brasileiro na história dos Jogos de Inverno até a atual edição. Desde então, o atleta consolidou-se como um dos principais nomes da modalidade. Ele foi o primeiro brasileiro a conquistar o Globo de Cristal do esqui cross-country paralímpico ao vencer a classificação geral da temporada 2024/2025 da Copa do Mundo.
O bom momento continuou nesta
temporada. Em janeiro, Ribera conquistou duas medalhas de ouro — nas provas de
1 km e 10 km — em etapa da Copa do Mundo realizada em Finsterau, na Alemanha.
Irmão da também esquiadora Eduarda Ribera, que já representou o país em Jogos
de Inverno, Cristian nasceu com artrogripose, doença congênita que compromete
as articulações das extremidades do corpo. Ao longo da vida, ele passou por 21
cirurgias nas pernas.
Via: Agora RN













