
A sensação de cansaço
constante, o sono que não recupera as energias e a irritabilidade fora do comum
podem ir além de uma rotina intensa. Esses sinais também podem estar
relacionados ao estresse crônico, estado de tensão contínua que interfere no
funcionamento do organismo.
Segundo a médica
endocrinologista Dra. Jacy Alves, o estresse prolongado influencia diretamente
o equilíbrio hormonal e pode comprometer diferentes sistemas do corpo. A
especialista abordou os efeitos fisiológicos do estresse na edição de abril da
revista científica do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito). “O estresse crônico desregula
os eixos hormonais, principalmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, afetando
desde a imunidade até a produção de neurotransmissores essenciais como a
serotonina e a dopamina.”
Quando o estresse deixa de ser
pontual e passa a fazer parte da rotina, os impactos podem aparecer em
diferentes áreas da saúde. Entre os sintomas mais comuns estão insônia, fadiga,
alterações de peso, problemas gastrointestinais, dores de cabeça recorrentes e
queda de cabelo. De acordo com a
endocrinologista, o estresse contínuo também pode interferir no metabolismo e
na função da tireoide.
“O estresse contínuo interfere
na sensibilidade à insulina, o que pode favorecer o desenvolvimento de diabetes
tipo 2. Existe também impacto direto na função tireoidiana, podendo tanto
suprimir quanto exacerbar sua atividade, dependendo da predisposição do
indivíduo.” Um dos principais hormônios
envolvidos nesse processo é o cortisol, liberado pelo organismo em situações de
estresse. Quando permanece elevado por longos períodos, pode prejudicar o sono,
alterar o metabolismo, reduzir a libido e afetar memória e concentração.
“Quando o estresse se
prolonga, o corpo entra em um estado de alerta constante que prejudica a
regulação hormonal e afeta a produção de neurotransmissores que controlam
humor, apetite e energia. Esse desequilíbrio contribui diretamente para quadros
de ansiedade e depressão”, explica Dra. Jacy Alves.
A especialista ressalta que a
saúde mental e a saúde hormonal estão relacionadas e devem ser consideradas de
forma integrada no acompanhamento dos pacientes. Segundo ela, reconhecer os
sinais precocemente e buscar apoio pode ajudar a evitar o agravamento das
alterações provocadas pelo estresse. “Reconhecer os sinais cedo e
buscar apoio são atitudes que podem evitar o agravamento de disfunções
hormonais causadas por estresse. Isso inclui desde a prática de atividade
física regular até o acompanhamento psicológico.”
O controle do estresse envolve
mudanças no estilo de vida, atenção aos limites do corpo e cuidados contínuos,
e não apenas momentos isolados de relaxamento. Para a endocrinologista, a
prevenção tem papel importante na promoção de uma vida saudável. “Quando falamos em longevidade
saudável, estamos falando de escolhas diárias. O estresse precisa ser tratado
como uma questão de saúde pública, porque ele é”, afirma.
Por O Correio de Hoje
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