sexta-feira, 13 de março de 2026

SAÚDE: Primeiras cirurgias robóticas remotas são realizadas no SUS

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) realizou, entre os dias 24 e 26 de fevereiro, as primeiras telecirurgias robóticas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa representa um avanço na utilização de tecnologias de alta complexidade na rede pública e demonstra a possibilidade de integrar inovação tecnológica ao atendimento do sistema público com protocolos científicos e critérios de segurança.

O projeto foi desenvolvido em parceria com o Hospital Universitário da USP (HU-USP). Durante os procedimentos, o console de comando instalado no Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (Promin), localizado na FMUSP, foi conectado em tempo real aos braços robóticos posicionados no centro cirúrgico do hospital universitário, situado a cerca de 15 quilômetros de distância. Segundo a diretora da Faculdade de Medicina da USP, professora Eloisa Bonfá, a experiência representa um passo importante para a saúde pública brasileira.

“Estamos diante de um marco para a saúde pública brasileira. Ao realizar as primeiras telecirurgia robótica do SUS, a FMUSP não apenas incorporou uma tecnologia de ponta, mas estruturou um modelo seguro e replicável para o sistema público. Esse é o papel da universidade pública: liderar agendas estratégicas, transformar conhecimento científico em benefício direto para a população e ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade com responsabilidade e base em evidências”, afirmou. A etapa clínica do projeto incluiu cinco pacientes atendidos pelo SUS, todos já incluídos na fila regular para cirurgia e com indicação médica previamente definida. Nesta fase inicial, a seleção priorizou casos considerados de menor complexidade, seguindo protocolos de segurança.

O primeiro procedimento realizado foi uma prostatectomia oncológica, cirurgia que consiste na retirada da próstata e das vesículas seminais para tratamento de câncer localizado. O paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte, com evolução clínica considerada satisfatória. As cirurgias contemplaram diferentes áreas médicas, incluindo urologia, cirurgia de cabeça e pescoço, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia.

Projeto busca expansão

O Projeto Telecirurgia Robótica FMUSP é coordenado pelo professor José Pinhata Otoch, do Departamento de Cirurgia da FMUSP e superintendente do Hospital Universitário da USP; pelo professor Giovanni Guido Cerri, do Departamento de Radiologia e Oncologia da faculdade e coordenador do InovaHC; e pelo professor Everson Luiz de Almeida Artifon, responsável pelo Promin.

A proposta foi estruturada para estabelecer parâmetros técnicos, assistenciais e de segurança cibernética que possam orientar a adoção da telecirurgia robótica em outras unidades do SUS. A iniciativa busca criar um modelo que permita a expansão da tecnologia de forma gradual e segura na rede pública.

A FMUSP também iniciou diálogo com o Ministério da Saúde para discutir a formação de um grupo de trabalho dedicado à análise regulatória e à definição de critérios para eventual incorporação da telecirurgia robótica como política pública. O debate envolve temas como financiamento, governança clínica e padronização tecnológica.

De acordo com Eloisa Bonfá, a cirurgia robótica ainda está concentrada principalmente em hospitais da rede privada no Brasil. A adoção da tecnologia no SUS pode contribuir para ampliar o acesso da população a procedimentos de alta complexidade.

“Atualmente, a cirurgia robótica no Brasil está concentrada majoritariamente na rede privada. Ao estruturar a primeira telecirurgia robótica do SUS com base científica e protocolos replicáveis, a FMUSP reafirma seu papel público na redução das desigualdades no acesso à alta complexidade e fortalece a capacidade do sistema público de liderar processos inovadores”, afirmou.

A experiência inaugura uma nova etapa para a incorporação de tecnologias avançadas na rede pública e abre caminho para discussões sobre a ampliação da telecirurgia no país.

Via: Por O Correio de Hoje 

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