Uma bactéria presente no
intestino pode ter papel relevante no aumento da força e do desempenho
muscular, segundo um estudo recente realizado com humanos e camundongos. Embora
ainda em estágio inicial, a pesquisa aponta que, com mais evidências, esse microrganismo
pode vir a ser explorado como aliado no combate à fraqueza muscular.
A perda de massa e de
capacidade muscular está associada a diversos prejuízos à saúde, especialmente
entre idosos, como redução da mobilidade, maior risco de quedas e aumento da
fragilidade. Diante desse cenário, cientistas buscam novas formas de enfrentar
o problema — e uma das pistas pode estar na microbiota intestinal.
O interesse pela relação entre
bactérias intestinais e desempenho físico ganhou força a partir de 2018, quando
estudos sobre transplante de microbiota levantaram a hipótese de que
microrganismos de atletas poderiam influenciar a performance de pessoas sedentárias.
“Esses estudos permitiram que
os pesquisadores identificassem associações entre condicionamento físico, força
muscular e microrganismos específicos”, explica Borja Martinez-Tellez, da
Universidade de Almería, na Espanha, principal autor do novo estudo, desenvolvido
durante seu pós-doutorado no Centro Médico da Universidade de Leiden, nos
Países Baixos.
Entre os microrganismos
analisados, bactérias do gênero Roseburia se destacaram por apresentar forte
associação com melhores indicadores de força muscular. O estudo mais recente
aprofundou essa linha de investigação.
A pesquisa incluiu 123
participantes, sendo 90 jovens entre 18 e 25 anos e 33 idosos com 65 anos ou
mais. Amostras de fezes foram analisadas para identificar a presença de
diferentes espécies do gênero Roseburia, enquanto a força muscular dos
voluntários foi avaliada por meio de testes específicos.
Os resultados indicaram que
níveis mais elevados dessas bactérias estavam relacionados a melhor desempenho
muscular.
Uma possível explicação para
esse efeito está no chamado eixo intestino-músculo, que descreve a interação
entre a microbiota e o metabolismo muscular. A bactéria pode influenciar a
produção de energia, o crescimento celular e até o tamanho das fibras musculares.
Por O Correio de Hoje


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