O Governo Lula (PT) anunciou
nesta quinta-feira um conjunto de ações para reduzir a pressão que as altas na
cotação internacional do barril de petróleo vêm exercendo sobre o óleo diesel,
bem como para aumentar a fiscalização no setor, com o objetivo de combater a
especulação e a alta abusiva de preços.
As ações, que incluem a edição
de Medida Provisória e de três decretos presidenciais, são uma resposta ao
cenário de forte volatilidade dos preços do petróleo causado pela guerra
envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã e pelas tensões no entorno do Estreito
de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo
consumido no mundo.
Uma das medidas será zerar as
alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. Na prática, isso elimina os
únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e
representa uma redução de R$ 0,32 por litro. O objetivo é aliviar a pressão
sobre um insumo essencial para o transporte de cargas, a produção agropecuária,
o abastecimento das cidades e a mobilidade de milhões de brasileiros. Esta
medida será editada via decreto presidencial.
Além disso, uma Medida
Provisória vai prever o pagamento de subvenção a produtores e importadores de
diesel, no valor de R$ 0,32 por litro, que deverá ser repassada. Somadas, as
duas medidas têm o objetivo de gerar um alívio de R$ 0,64 por litro nas bombas,
para conter a pressão de custos ao longo da cadeia e criar condições para que
esse efeito chegue à população nas bombas dos postos. Será editado decreto para
regulamentar a subvenção.
Outras medidas
A MP prevê ainda Imposto de Exportação como medida regulatória para aumentar o refino interno e garantir o abastecimento à população. Deste modo, a renda excedente obtida em função do aumento de preço do petróleo no mercado internacional será compartilhada com a sociedade brasileira. A MP dota a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de novos instrumentos de fiscalização no mercado de combustíveis para coibir práticas lesivas ao consumidor. Entre elas, o aumento abusivo de preços e a retenção especulativa de estoques com a finalidade de provocar escassez ou a venda do produto por valores mais altos.
Outro decreto, a ser editado hoje, determina que os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção. Ao editar essas medidas, o Governo do Brasil atua para evitar que a população brasileira, os caminhoneiros e os setores produtivos arquem sozinhos com o custo de uma crise externa. A iniciativa também busca conter pressões inflacionárias, especialmente sobre alimentos, fretes e bens essenciais que dependem diretamente do transporte rodoviário.
Na tarde desta quinta-feira
(12), o vice-presidente, Geraldo Alckmin, os ministros Rui Costa (Casa Civil),
Wellington César (Justiça), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o secretário
executivo da Fazenda, Dario Durigan, se reunirão com representantes das maiores
distribuidoras privadas de combustíveis — responsáveis por cerca de 70% do
mercado privado no Brasil — para cobrar que as medidas anunciadas sejam
efetivamente repassadas ao consumidor final. Também serão convidados para a
reunião representantes da Senacon, de modo a reforçar o acompanhamento
institucional sobre a chegada desse alívio aos consumidores.
Via: Robson
Pires


Nenhum comentário:
Postar um comentário