A pressão financeira e as
dificuldades econômicas podem exercer um impacto direto e expressivo sobre a
saúde do coração, superando inclusive fatores tradicionalmente associados ao
risco cardiovascular, como o tabagismo e o diabetes. A constatação faz parte de
um estudo internacional que analisou dados de mais de 280 mil pessoas ao longo
de mais de uma década.
De acordo com os
pesquisadores, indivíduos que convivem com instabilidade financeira,
insegurança no emprego ou dificuldades para arcar com despesas básicas
apresentam maior propensão ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O
levantamento aponta que o estresse gerado por essas condições pode acelerar o
envelhecimento do coração e elevar significativamente o risco de morte por
causas cardíacas.
O estudo utilizou dados do UK
Biobank, banco de informações de saúde do Reino Unido, e considerou fatores
como renda, ocupação, nível educacional e condições de moradia. Para mensurar o
impacto na saúde cardiovascular, os cientistas recorreram a um algoritmo
baseado em inteligência artificial, capaz de estimar a idade biológica do
coração a partir de exames de eletrocardiograma.
Os resultados indicaram que
pessoas em situação de vulnerabilidade econômica apresentaram um envelhecimento
cardíaco mais acelerado em comparação com aquelas em condições financeiras
estáveis. Em alguns casos, o coração dessas pessoas parecia biologicamente mais
velho do que sua idade cronológica indicaria.
Além disso, o estudo mostrou
que indivíduos que relataram dificuldades financeiras tinham um risco até 60%
maior de morte por doença cardiovascular. Esse índice superou o impacto
observado em fatores clássicos, como diabetes e tabagismo, que tradicionalmente
figuram entre os principais responsáveis por problemas cardíacos.
Os pesquisadores também
observaram que determinantes sociais — como acesso à saúde, alimentação
adequada, condições de moradia e suporte social — desempenham papel relevante
na saúde do coração. Segundo o levantamento, esses fatores podem influenciar
diretamente comportamentos relacionados à saúde, como prática de atividade
física, alimentação e adesão a tratamentos médicos.
Outro dado relevante é que o
impacto da desigualdade social foi mais evidente em determinados grupos.
Pessoas que vivem em áreas mais vulneráveis ou com menor acesso a serviços de
saúde apresentaram maiores taxas de hospitalização por doenças cardíacas.
Os especialistas destacam que,
embora hábitos como alimentação saudável e prática de exercícios continuem
sendo fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares, é necessário
considerar também os fatores sociais e econômicos na formulação de políticas
públicas de saúde.
A pesquisa reforça a
necessidade de abordagem ampla no cuidado com a saúde cardiovascular, levando
em conta não apenas fatores individuais, mas também o contexto social.
Por O Correio de Hoje


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