terça-feira, 31 de março de 2026

SAÚDE: Dívidas impactam coração mais do que tabagismo, aponta estudo

A pressão financeira e as dificuldades econômicas podem exercer um impacto direto e expressivo sobre a saúde do coração, superando inclusive fatores tradicionalmente associados ao risco cardiovascular, como o tabagismo e o diabetes. A constatação faz parte de um estudo internacional que analisou dados de mais de 280 mil pessoas ao longo de mais de uma década.

De acordo com os pesquisadores, indivíduos que convivem com instabilidade financeira, insegurança no emprego ou dificuldades para arcar com despesas básicas apresentam maior propensão ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O levantamento aponta que o estresse gerado por essas condições pode acelerar o envelhecimento do coração e elevar significativamente o risco de morte por causas cardíacas.

O estudo utilizou dados do UK Biobank, banco de informações de saúde do Reino Unido, e considerou fatores como renda, ocupação, nível educacional e condições de moradia. Para mensurar o impacto na saúde cardiovascular, os cientistas recorreram a um algoritmo baseado em inteligência artificial, capaz de estimar a idade biológica do coração a partir de exames de eletrocardiograma.

Os resultados indicaram que pessoas em situação de vulnerabilidade econômica apresentaram um envelhecimento cardíaco mais acelerado em comparação com aquelas em condições financeiras estáveis. Em alguns casos, o coração dessas pessoas parecia biologicamente mais velho do que sua idade cronológica indicaria.

Além disso, o estudo mostrou que indivíduos que relataram dificuldades financeiras tinham um risco até 60% maior de morte por doença cardiovascular. Esse índice superou o impacto observado em fatores clássicos, como diabetes e tabagismo, que tradicionalmente figuram entre os principais responsáveis por problemas cardíacos.

Os pesquisadores também observaram que determinantes sociais — como acesso à saúde, alimentação adequada, condições de moradia e suporte social — desempenham papel relevante na saúde do coração. Segundo o levantamento, esses fatores podem influenciar diretamente comportamentos relacionados à saúde, como prática de atividade física, alimentação e adesão a tratamentos médicos.

Outro dado relevante é que o impacto da desigualdade social foi mais evidente em determinados grupos. Pessoas que vivem em áreas mais vulneráveis ou com menor acesso a serviços de saúde apresentaram maiores taxas de hospitalização por doenças cardíacas.

Os especialistas destacam que, embora hábitos como alimentação saudável e prática de exercícios continuem sendo fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares, é necessário considerar também os fatores sociais e econômicos na formulação de políticas públicas de saúde.

A pesquisa reforça a necessidade de abordagem ampla no cuidado com a saúde cardiovascular, levando em conta não apenas fatores individuais, mas também o contexto social.

Por O Correio de Hoje

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