A janela partidária para
deputados estaduais e federais começa nesta quinta-feira (5) e segue até 3 de
abril, abrindo um período decisivo para a reorganização das bancadas e para o
desenho político das eleições de 2026 no Rio Grande do Norte e no país.
A regra permite que
parlamentares troquem de partido sem risco de perda de mandato. Desta vez,
porém, o movimento tende a ser menos impulsionado por fatores ideológicos e
mais orientado por cálculos de sobrevivência eleitoral, sobretudo diante do
endurecimento da cláusula de barreira, que passa a exigir 2,5% dos votos
válidos nacionais, distribuídos em pelo menos nove estados, com mínimo de 1% em
cada um.
Sem coligações proporcionais e
com a disputa por recursos do fundo partidário e eleitoral cada vez mais
concentrada nas grandes siglas, deputados buscam abrigo em partidos com
nominatas competitivas e maior estrutura financeira. A soma dos fundos este ano
gira em torno de R$ 6 bilhões, o que eleva a pressão interna nas legendas e
amplia o poder das cúpulas partidárias.
No Rio Grande do Norte, a
expectativa é de mudanças relevantes na Assembleia Legislativa. Entre os nomes
que devem trocar de partido estão vários deputados eleitos pelo PSDB que
enfrenta um esvaziamento, até mesmo a possibilidade do próprio presidente estadual
da legenda, Ezequiel Ferreira, que deve migrar para o Republicanos, podendo
levar com eles os deputados Taveira Junior e Cristiane Dantas.
O deputado Kleber Rodrigues já
anunciou que deixa o ninho tucano para migrar para o PP de João Maia. Ubaldo
Fernandes ainda estuda para onde irá. A governadora Fátima Bezerra conversou
com ele para ir para o PV, mas também mantém conversar com Ezequiel e com o PP,
mas ainda está fazendo contas para ver qual a nominata que lhe dá mais chances
de se reeleger.
O PV por sua vez, perdeu Hermano Moraes que vai para o MDB ser candidato a vice-governador na chapa de Allyson Bezerra, mas ganhará a filiação de Bernardo Amorim, o Dr. Bernardo, que deve tentar a eleição para deputado federal. Outro que deve mudar de legenda migrando provavelmente para o União Brasil é o deputado Nelter Queiroz, que ainda não anunciou seu destino.
Já o PL do senador Rogério
Marinho irá receber a deputada federal Carla Dickson que está filiada ao União
Brasil. Uma das mais entusiastas defensoras das pautas do bolsonarismo, ela não
tem espaço onde está já que o União Brasil e o PP formaram uma federação que
conta com 3 deputados federais, desde que Robinson Faria fez o caminho inverso
e trocou o PL pelo PP.
O partido deve ganhar mais um
representante na Assembleia com a chegada de Adjuto Dias, que deixa o MDB pelo
qual se elegeu, mas com quem travou diversas batalhas, até na Justiça, para
tentar trocar de partido antes. Ele deve acompanhar o pai, Álvaro Dias que será
candidato ao governo pela legenda.
No Rio Grande do Norte, a
janela partidária tende a redefinir o equilíbrio de forças na Assembleia e
antecipar os blocos que disputarão protagonismo em 2026.


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