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terça-feira, 16 de junho de 2026

OBESIDADE: Estudo associa uso de canetas emagrecedoras à redução da atividade física

Um estudo conduzido por pesquisadores do Hospital HSHS St. John’s, nos Estados Unidos, identificou uma redução significativa nos níveis de atividade física entre adultos com obesidade que iniciaram tratamento com medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, grupo que inclui substâncias como semaglutida e tirzepatida, popularmente conhecidas como “canetas emagrecedoras”.

Os resultados chamam atenção porque a perda de massa magra é um dos pontos frequentemente discutidos por especialistas em relação ao uso desses medicamentos. A diminuição da atividade física observada pelos pesquisadores pode representar um fator adicional de preocupação, já que o exercício desempenha papel importante na preservação da musculatura, da força física e da saúde metabólica durante o processo de emagrecimento.

A pesquisa utilizou informações do programa All of Us, iniciativa dos National Institutes of Health (NIH), que reúne dados clínicos de prontuários eletrônicos e informações captadas por dispositivos vestíveis de monitoramento físico, como os relógios e pulseiras Fitbit.

Inicialmente, os pesquisadores identificaram 1.950 adultos com obesidade que haviam iniciado tratamento com medicamentos da classe GLP-1. Deste grupo, 753 participantes apresentavam registros suficientes de atividade física para análise detalhada. A amostra era composta majoritariamente por mulheres, que representavam 78,6% dos participantes. A idade média dos voluntários foi de 52,7 anos.

Para avaliar o impacto do tratamento na rotina dos pacientes, os pesquisadores compararam os dados registrados antes e depois do início do uso dos medicamentos. A análise concentrou-se principalmente em dois indicadores: número de passos diários e tempo dedicado a atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa.

Os resultados mostraram uma redução consistente nos dois parâmetros. Antes do tratamento, os participantes registravam, em média, 5.047 passos por dia. Após o início do uso dos medicamentos, esse número caiu para 4.487 passos diários.

Também foi observada diminuição no tempo dedicado às atividades físicas mais intensas. A média diária passou de 28 minutos para 22 minutos de exercício moderado a vigoroso.

Segundo os pesquisadores, as maiores quedas foram registradas entre homens e entre participantes que apresentavam dores articulares ou musculares. Em contrapartida, fatores como idade avançada, insuficiência cardíaca e histórico de acidente vascular cerebral (AVC) não demonstraram influência significativa nos resultados observados.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

OBESIDADE: Nova caneta para obesidade apresenta resultados próximos aos da bariátrica

Um novo medicamento experimental para tratamento da obesidade apresentou resultados considerados próximos aos obtidos por cirurgias bariátricas em estudo clínico internacional. A Retatrutida, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, levou parte significativa dos participantes a perder mais de 30% do peso corporal após cerca de um ano e meio de acompanhamento.

Os dados fazem parte do estudo clínico TRIUMPH-1, um dos testes de fase três conduzidos pela empresa. A pesquisa envolveu 2.239 participantes com sobrepeso ou obesidade associada a pelo menos uma comorbidade. Segundo os resultados divulgados pela farmacêutica, 45,3% dos pacientes que receberam a dose mais alta do medicamento atingiram redução igual ou superior a 30% do peso corporal ao longo de 80 semanas. O percentual é considerado semelhante aos resultados observados em alguns procedimentos de cirurgia bariátrica.

A retatrutida pertence à nova geração das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade. Apesar dos resultados, a substância ainda está em fase experimental e depende da conclusão das etapas regulatórias para poder ser comercializada. Os testes de fase três representam a última etapa dos estudos clínicos antes da análise das agências reguladoras responsáveis por aprovar ou não a venda do medicamento.

Os participantes da pesquisa foram divididos em quatro grupos diferentes. Três grupos receberam doses semanais da substância — 4 mg, 9 mg e 12 mg — enquanto um quarto grupo recebeu placebo para comparação. Os voluntários não sabiam qual tratamento estavam recebendo durante o estudo. Ao final das 80 semanas, os participantes que utilizaram a menor dose, de 4 mg, apresentaram perda média de 19% do peso corporal, o equivalente a aproximadamente 21,4 kg. Entre os pacientes que receberam 9 mg, a redução média chegou a 27,5%, com queda de cerca de 29,2 kg.

Já o grupo tratado com a dose mais elevada, de 12 mg, registrou perda média de 31,9 kg, equivalente a aproximadamente 28,3% do peso corporal. Para comparação, a dose mais alta do Mounjaro, medicamento também desenvolvido pela Eli Lilly, alcança perda média de cerca de 25,3% após 88 semanas de uso. Segundo Kenneth Custer, presidente executivo e presidente da Lilly Cardiometabolic Health, os resultados indicam potencial para uma nova abordagem terapêutica no tratamento da obesidade.