Tragédia na zona rural deixa
menina de 5 anos em estado grave e mobiliza força-tarefa com equipe de 10
profissionais em cirurgia de alta complexidade no Hospital Tarcísio Maia, em
Mossoró; acidente reacende denúncias de moradores sobre as condições precárias
da frota municipal e a ausência de monitores para acompanhar os estudantes.
Duas crianças de quatro e
cinco anos foram atropeladas por um ônibus escolar no início da manhã da última
terça-feira (13) na comunidade rural de Camurim, em Governador Dix-Sept Rosado,
na região Oeste do Rio Grande do Norte. De acordo com relatos de moradores e
familiares, a tragédia reacende as denúncias sobre as condições precárias dos
veículos da frota municipal, apontados como sem manutenção adequada para o
transporte seguro de estudantes.
O acidente ocorreu por volta
das 7h, quando Valentina, 5, e Christian, 4, que residem na localidade de Lagoa
de Pau, desembarcavam na escola. Segundo informações preliminares, o veículo
parou em uma subida em uma estrada de barro. No momento do desembarque, o freio
de mão teria falhado, fazendo com que o ônibus se deslocasse e atingisse as
crianças. Valentina chegou a ser arrastada e sofreu graves esmagamentos nas
pernas e na região pélvica, enquanto Christian teve fratura e escoriações pelo
corpo.
O secretário de Educação e
Administração Pública do município, Kaká Silveira, afirmou que a prefeitura
ainda está apurando as circunstâncias do ocorrido. O chefe da pasta declarou
que o transporte é realizado com o acompanhamento de um monitor profissional
para supervisionar os alunos até a chegada ao colégio. Testemunhas e familiares
que estavam no local, no entanto, contestam a versão oficial e afirmam que não
havia nenhum profissional exercendo a função de monitor no veículo.
Após receberem o primeiro
atendimento no hospital local de Governador Dix-Sept Rosado, as vítimas foram
transferidas em estado de urgência para o Hospital Regional Tarcísio Maia
(HRTM), em Mossoró.
Força-tarefa no centro
cirúrgico e risco de infecção
Valentina foi submetida a uma
intervenção imediata de alta complexidade que mobilizou uma equipe de 10
profissionais de saúde, entre médicos, anestesistas e equipe de enfermagem. O
cirurgião responsável pelo atendimento, Dr. Manuel Fernandes, detalhou a gravidade
do quadro na chegada da paciente.
“Ela chegou estável, mas era uma criança crítica. Levamos ao centro cirúrgico imediato, solicitamos sangue, o preparo pré-operatório e já foi operada. Apresentava um trauma contuso, extenso na região do abdômen inferior e pelve, lacerou toda a parte genital e uma fratura exposta do fêmur esquerdo.”
O procedimento cirúrgico concentrou-se na estabilização óssea e na reconstrução dos tecidos destruídos pelo impacto. De acordo com o cirurgião, a maior preocupação da equipe médica a partir de agora se desloca para o pós-operatório devido às condições do acidente.
“Tudo tranquilo, foi uma
cirurgia de reparação, ela foi colocada no fixador externo na coxa esquerda,
onde já está feito o tratamento definitivo da fratura e foi feita toda essa
reparação das lesões de pele, subcutânea e musculatura que foi atingida. É uma
criança que agora a gente vai lutar para que não tenha infecção, porque a área
estava bastante contaminada com capim, com terra, a ferida”, explicou
Fernandes.
O médico informou que nenhum
órgão interno das regiões abdominal ou pélvica foi perfurado. Valentina
encontra-se na sala de recuperação anestésica e a equipe aguarda a liberação de
uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para os cuidados de monitoramento
contínuo. A recuperação é classificada como lenta e dependente de suporte com
antibióticos e hidratação intensa.
Segundo paciente tem quadro
mais simples
Christian, o menino de 4 anos
que também foi atingido pelo veículo, apresentou lesões menos complexas, embora
também tenha fraturado o fêmur esquerdo. Ele foi encaminhado ao centro
cirúrgico logo após o término do procedimento de Valentina.
Segundo o Dr. Manuel
Fernandes, a equipe médica avaliava a aplicação de gesso ou uma síntese com
parafusos para corrigir a fratura. "O caso do segundo paciente é bem mais
simples", tranquilizou o médico.
As causas exatas da falha
mecânica no ônibus escolar e a responsabilidade pelo transporte das crianças
serão investigadas pela Polícia Civil.
Via: Mossoró hoje

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