traduz prescrições complexas em orientações compreensíveis, desenvolve
estratégias lúdicas para facilitar a adesão e utiliza a farmacotécnica para
adaptar medicamentos como transformar comprimidos em soluções com sabores
aceitáveis minimizando o trauma da administração. Ao gerenciar sintomas o
farmacêutico não apenas combate à doença, mas preserva a qualidade de vida e a
dignidade da infância.
Esse amparo ganha uma dimensão ainda mais estratégica em instituições como a
Casa Durval Paiva, pois o farmacêutico atua na linha de frente, garantindo que
a transição do hospital para a casa de apoio ocorra sem interrupções.
O foco expande-se para a vigilância e a organização da farmácia interna,
assegurando o armazenamento correto de medicamentos e oferecendo suporte
contínuo aos acompanhantes. Ao participar de atividades lúdicas e
multidisciplinares, o profissional ajuda a desmistificar o tratamento,
transformando o cuidado em um pilar de esperança e segurança para o paciente.
Há dores que não são “normais”: O que o cérebro tenta nos dizer
Luiz da Costa Nepomuceno Filho - Coordenador do Diagnóstico Precoce - CRBM2:
11928 | CRF/RN: 6776
Há dores que passam com um abraço, um remédio simples ou um boa noite de sono.
Mas existem outras que insistem, que voltam, que mudam o comportamento da
criança e silenciosamente pedem atenção. São essas dores que não são “normais”.
E, muitas vezes, é o cérebro tentando nos dizer que algo não vai bem (CASA
DURVAL PAIVA, 2018).
No câncer infantojuvenil, especialmente nos Tumores do Sistema Nervoso Central,
a dor pode ser um dos primeiros sinais de alerta. Diferente da dor comum do dia
a dia, ela costuma aparecer com frequência, ser mais intensa pela manhã e, em
alguns casos, vir acompanhada de vômitos, sonolência excessiva, alterações no
equilíbrio, na visão ou no comportamento. A criança que antes corria e brincava
passa a querer ficar deitada. O adolescente ativo começa a faltar à escola,
reclama de dor de cabeça constante e não encontra alívio mesmo com analgésicos
simples (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER,2023).
Com base no conhecimento
científico, isso acontece porque tumores no cérebro podem aumentar a pressão
dentro do crânio ou interferir em áreas responsáveis pelo controle da dor, do
movimento, da fala e das emoções (SOARES; GOMES; KUYVEN, 2025). O cérebro,
então, envia sinais de sofrimento. A dor deixa de ser apenas um sintoma isolado
e passa a ser um pedido de socorro do próprio organismo (COSTA, 2020).
O grande desafio é que, na infância, a dor nem sempre é descrita com clareza.
Muitas crianças não sabem explicar o que sentem. Elas demonstram no choro
diferente, na irritabilidade, no isolamento ou até na regressão de
comportamentos já superados (SOARES; GOMES; KUYVEN, 2025). Por isso, observar é
tão importante quanto ouvir. Pais, cuidadores, professores e profissionais de
saúde têm um papel essencial em perceber quando algo foge do esperado
(INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER,2023).
É importante reforçar: sentir dor não significa, automaticamente, câncer. A
maioria das dores de cabeça e desconfortos na infância tem causas benignas. Mas
quando a dor é persistente, progressiva, acorda a criança à noite, vem
acompanhada de outros sinais neurológicos ou interfere na rotina, ela precisa
ser investigada (MAGALHÃES, et al., 2023). O diagnóstico precoce salva vidas e
reduz sequelas (CASA DURVAL PAIVA, 2018).
Falar sobre essas dores é um ato de cuidado, é essa rotina que as capacitações
da Casa Durval Paiva querem reforçar. É importante romper com a ideia de que “é
só uma fase” ou que “vai passar sozinho”. No contexto do câncer infantojuvenil,
escutar o que o corpo da criança tenta dizer pode ser a diferença entre um
diagnóstico tardio e uma chance real de cura (INSTITUTO NACIONAL DE
CÂNCER,2023).
Há dores que não são normais, porque não deveriam ser ignoradas. Quando o
cérebro fala através da dor, ele pede atenção, acolhimento e ação. Ouvir esses
sinais é um gesto de amor, responsabilidade e esperança.

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