A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a comercialização de um novo
medicamento para pessoas com doença de Parkinson avançada no Brasil. A decisão
foi publicada nesta segunda-feira, 25/05/2026, no Diário Oficial da União e
representa uma nova esperança para pacientes cujos sintomas motores já não são
adequadamente controlados por terapias orais.
O tratamento, que será
comercializado pela AbbVie com o nome Vyalev, combina foscarbidopa e
foslevodopa. Essas substâncias são derivadas da levodopa, o principal
medicamento utilizado para combater os sintomas motores da doença. Vyalev se
destaca por ser a primeira e única terapia aprovada pela Anvisa que administra
levodopa por infusão subcutânea contínua durante 24 horas. O objetivo é manter
níveis mais estáveis da medicação no organismo, minimizando as oscilações
motoras, como tremores e rigidez, que se tornam mais intensas nas fases
avançadas do Parkinson.
A progressão da doença de
Parkinson frequentemente leva os pacientes a alternar períodos com sintomas
controlados (momentos "on") com fases em que os efeitos do tratamento
diminuem drasticamente (períodos "off"). A nova terapia é especificamente
indicada para indivíduos que enfrentam essa realidade, quando os comprimidos
tradicionais de levodopa deixam de oferecer o alívio necessário.
Vyalev surge também como uma
alternativa importante para pacientes que não podem, não desejam ou não são
candidatos à estimulação cerebral profunda, um procedimento cirúrgico
considerado em casos avançados da doença. Segundo a AbbVie, até 60% dos pacientes
com Parkinson avançado possuem contraindicações para a cirurgia devido a
condições como demência ou instabilidade postural grave. Adicionalmente, cerca
de 45% dos pacientes recusam o procedimento por considerá-lo invasivo.
"Na fase avançada da
doença, a infusão contínua se apresenta como uma alternativa essencial para
pacientes que já não respondem às terapias orais ou não são candidatos à
cirurgia de estimulação cerebral profunda", explica Rubens Cury, do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
A aprovação da Anvisa
baseou-se em um estudo de fase 3 que acompanhou cerca de 130 pacientes com
Parkinson avançado por 12 semanas. Os resultados demonstraram que os pacientes
tratados com a infusão contínua de Vyalev tiveram um aumento significativo no tempo
"on" sem discinesia problemática (movimentos involuntários) em
comparação com o grupo que utilizou levodopa oral. Em média, os pacientes
tratados com a nova terapia ganharam 2,72 horas adicionais de tempo
"on", contra 0,97 hora no grupo controle. Melhoras foram observadas
já na primeira semana de tratamento.
Entre os efeitos adversos mais
comuns relatados estavam reações no local da infusão, movimentos involuntários
e alucinações, a maioria classificada como leve ou moderada pela empresa. A
doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa que afeta aproximadamente
220 mil pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, sendo a segunda mais
comum no mundo.


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