De acordo com Zé Augusto,
presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), a
redistribuição é estratégica para os municípios. “Isso é de fundamental
importância, porque os municípios, principalmente os pequenos, como a maioria
aqui no RN, dependem só de repasses funcionais e está ocorrendo quedas de
arrecadação. Esse recurso é uma ajuda substancial para que a gente possa
continuar cumprindo com nossas obrigações”, afirmou.
Dados da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o Rio Grande do Norte
arrecadou R$ 238,33 milhões em royalties do petróleo em 2025. Já os municípios
potiguares receberam repasses de R$ 382,71 milhões. No total, o valor
distribuído entre o estado e os municípios foi de R$ 621 milhões.
O RN é um dos estados que
defendem a constitucionalidade da lei, junto à Confederação Nacional dos
Municípios (CNM). Para a entidade, há uma “forte desproporcionalidade” na
arrecadação dos royalties. “Em conjunto com 19 estados, a CNM defende a
correção dessas distorções sem excluir os entes confrontantes da partilha”, diz
comunicado da Confederação. Procurada, a ANP afirmou que “não comenta ações
judiciais em andamento. Eventuais manifestações da Agência são realizadas
apenas nos autos dos processos”.
Se a lei for julgada
constitucional, os estados mais impactados devem ser o Rio de Janeiro, São
Paulo e Espírito Santo, que juntos receberam mais de 90% dos royalties pagos
aos estados em 2025, segundo a ANP.
De acordo com a lei, estados e
municípios não produtores passam a ter direito a 49% da arrecadação com
royalties do petróleo, ante os 7,5% praticados hoje. A distribuição segue
critérios dos fundos de participação de estados e municípios.
A perda estimada para o Rio de
Janeiro é de R$ 21 bilhões anuais, segundo informações da Folha de S.Paulo,
somando o impacto sobre os cofres estaduais e de municípios beneficiados. O RJ
deixaria de arrecadar R$ 9 bilhões caso a lei fosse julgada constitucional –
queda de 9,3% da receita corrente líquida.
A reportagem buscou uma
estimativa de quanto seria o impacto no RN caso a lei seja julgada
constitucional. O órgão federal explicou, por meio de sua assessoria de
imprensa, que faz a distribuição dos royalties com base nos critérios previstos
em lei.
A decisão do STF poderá
redefinir a forma como os royalties são distribuídos no país, com impacto na
capacidade de investimento dos estados. Atualmente, a maior parte desses
recursos permanece concentrada em estados e municípios produtores. A validação
da lei poderá ampliar a participação de unidades federativas não produtoras na
divisão das receitas.
A lei foi aprovada no governo
Dilma Rousseff (PT), na esteira de debates sobre a criação de um fundo para
investimentos em educação e saúde com recursos da atividade petrolífera. Dilma
vetou a redistribuição dos royalties, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.
Via: Por TN

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