O câncer de colo do útero
continua sendo uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres
jovens no Brasil e está diretamente relacionado à infecção pelo papilomavírus
humano (HPV). O alerta foi feito pela ginecologista Ana Katherine Gonçalves
durante entrevista ao RN no Ar, da TV Tropical, nesta quarta-feira 17.
Segundo a médica, a doença afeta principalmente mulheres em idade produtiva e provoca impactos sociais e familiares significativos. “O câncer de colo do útero é a principal causa de morte por câncer em mulheres jovens, deixando crianças órfãs, famílias enlutadas, tem um grande impacto emocional para as famílias que vivem esse luto”, afirmou.
De acordo com a especialista, o câncer de colo do útero é atualmente considerado uma infecção sexualmente transmissível causada pelo HPV, vírus que pode ser prevenido por meio da vacinação. “É uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus do HPV. Esse vírus pode ser facilmente evitado mediante a vacinação”, explicou.
Vacina está disponível gratuitamente
A vacinação contra o HPV é disponibilizada gratuitamente para grupos de ambos os sexos. A ginecologista destacou que a imunização tem papel importante na redução da circulação do vírus e na prevenção de diversos tipos de câncer. Segundo a médica, a vacina pode ser aplicada a partir dos 9 anos de idade. Ela alertou, porém, para a baixa adesão à imunização.
“O nosso problema é porque realmente essas vacinas se estragam nas UPAs, nos postos de saúde, porque os pais não vão vacinar as crianças”, declarou. Ana Katherine atribuiu parte dessa resistência a informações equivocadas sobre a vacina.
“Alguns pais acham que a vacinação pode estimular a sexualidade da criança. Na verdade, não é nada disso. A criança ou o futuro adulto precisa estar protegido quando for ter a primeira relação. Isso não é para estimular”, explicou.
A médica também esclareceu que a vacina não oferece risco de provocar a infecção.
“Um outro aspecto importante:
não tem como se infectar com a vacina, porque a vacina não é feita de vírus. A
vacina é feita de uma partícula semelhante a vírus, a VLP. Então, não tem como
se contaminar com a vacinação”, disse.
Transmissão ocorre
principalmente por via sexual
Sobre as formas de transmissão
do HPV, a especialista explicou que a principal via é a relação sexual, embora
existam outras possibilidades de contágio.
“O HPV é uma infecção
sexualmente transmissível, mas pode acontecer por contato. Por exemplo, a gente
tem casos de crianças, bebês, que pegam HPV porque a mãe tem HPV. Não é que
houve violência ou abuso, mas que houve contaminação porque a própria mãe já
tem e passa para a criança”, afirmou.
Teste de DNA amplia capacidade
de rastreamento
A ginecologista também
comentou as mudanças nos métodos de rastreamento da doença. Segundo ela, o
tradicional exame Papanicolau continua sendo importante, mas o Ministério da
Saúde tem ampliado a adoção do teste de DNA do HPV.
Ela ressaltou que a estratégia
já vem sendo utilizada em diversos países. Segundo Ana Katherine, o exame
molecular apresenta uma capacidade de detecção superior ao exame citológico
tradicional.
“Na rede privada já está
disponível. No Brasil, alguns estados já oferecem”, relatou.
Tipos mais perigosos costumam
não apresentar sintomas
A médica também esclareceu que
existem diferentes tipos de HPV. Alguns provocam verrugas, enquanto outros
estão associados ao desenvolvimento de câncer. O principal desafio, segundo
ela, é que os tipos mais relacionados ao câncer geralmente não apresentam
sintomas.
“O câncer é assintomático. Não
causa nenhuma lesão, não causa nenhum sintoma. A paciente nem corrimento tem, é
totalmente assintomático e fica com câncer”, alertou.
Ana Katherine reforçou que a
prevenção depende da combinação entre vacinação, diagnóstico precoce e medidas
de proteção durante as relações sexuais. Ela observou, entretanto, que o uso do
preservativo ainda enfrenta resistência em parte da população.
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