segunda-feira, 29 de junho de 2026

SAÚDE: Remédio contra Alzheimer chega ao Brasil

O medicamento Leqembi (lecanemabe), uma das terapias mais recentes para o tratamento da doença de Alzheimer, começou a ser disponibilizado comercialmente no Brasil. O anúncio foi feito pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, meses após a aprovação do medicamento pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), concedida em dezembro. Indicado para pacientes que apresentam comprometimento cognitivo leve ou demência leve causada pelo Alzheimer, o tratamento inaugura uma nova etapa no combate à doença ao atuar diretamente sobre um dos seus principais mecanismos biológicos.

Diferentemente dos medicamentos tradicionalmente utilizados para controlar sintomas, o Leqembi pertence à classe dos anticorpos monoclonais antiamiloides, desenvolvidos para reduzir o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, característica associada ao Alzheimer. Embora não interrompa nem reverta a doença, estudos clínicos demonstraram que o remédio consegue retardar, de forma moderada, a evolução do comprometimento cognitivo.

Em nota, o diretor médico da Eisai, Rodrigo Nascimento, afirmou que a chegada do medicamento ao mercado brasileiro representa um avanço para os pacientes. “Representa um marco importante na ampliação do acesso a opções de tratamento inovadoras para pessoas que vivem com doença de Alzheimer.”

O tratamento é realizado exclusivamente por infusão intravenosa em hospitais ou centros especializados. Cada aplicação dura aproximadamente uma hora e deve ser repetida a cada duas semanas, o que impede a comercialização do medicamento em farmácias convencionais.

O custo também representa um dos principais desafios para os pacientes. Segundo definição da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), o preço máximo do frasco de Leqembi pode chegar a R$ 4.212,44, considerando a alíquota máxima de ICMS de 23%.

Como a dose recomendada pela Anvisa é de 10 mg por quilo de peso corporal a cada duas semanas, um paciente com mais de 50 quilos pode gastar mais de R$ 8,5 mil por mês apenas com o medicamento. O valor total do tratamento tende a ser ainda maior quando são incluídos os custos das infusões, exames e acompanhamento médico especializado exigidos durante toda a terapia.

A autorização concedida pela Anvisa restringe o uso do Leqembi a pacientes adultos em fase inicial da doença. Além do diagnóstico de comprometimento cognitivo leve ou demência leve por Alzheimer, é necessário comprovar, por meio de exames específicos, a presença das placas de proteína amiloide no cérebro.

Outro requisito é que o paciente não seja portador da mutação do gene APOE-e4, alteração genética que aumenta o risco de desenvolver Alzheimer, mas também está relacionada a maior probabilidade de ocorrência de efeitos adversos graves durante o tratamento.

Nos estudos clínicos que embasaram a aprovação do medicamento, os pacientes foram acompanhados durante 18 meses. Ao final do período, os pesquisadores verificaram que o tratamento reduziu em 27% o ritmo da perda cognitiva em comparação aos pacientes que não receberam o medicamento.

Os resultados, divulgados originalmente em 2022, marcaram a primeira demonstração consistente de que um medicamento era capaz de modificar o curso biológico da doença, ainda que de forma limitada.

O Leqembi não é o único representante dessa nova geração de terapias. Outro anticorpo monoclonal aprovado no Brasil é o Kisunla (donanemabe), da farmacêutica Eli Lilly, liberado pela Anvisa em abril de 2025.

Nos ensaios clínicos, o Kisunla apresentou redução de até 35% na progressão clínica da doença durante 18 meses de acompanhamento, além de retardar em cerca de 4,4 meses a evolução do declínio cognitivo e reduzir em 37% o risco de progressão para estágios mais avançados do Alzheimer.

Apesar dos resultados considerados promissores, especialistas ressaltam que os benefícios ainda são modestos e que o tratamento apresenta limitações importantes. Além do alto custo, o uso exige acompanhamento contínuo por equipes especializadas devido ao risco de efeitos adversos potencialmente graves.

Entre as reações observadas durante os estudos estão hemorragias cerebrais, complicações relacionadas às infusões intravenosas, dores de cabeça e episódios de edema cerebral. Em alguns pacientes, essas alterações apresentaram gravidade suficiente para exigir interrupção do tratamento e, em situações mais raras, evoluíram para complicações fatais.

Mesmo diante dessas restrições, a chegada do Leqembi amplia as opções terapêuticas disponíveis para pessoas diagnosticadas com Alzheimer em estágio inicial e representa um avanço nas estratégias voltadas para retardar a progressão da doença, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Via: Agora RN

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