sexta-feira, 26 de junho de 2026

SAÚDE: Pausas no trabalho reduzem fadiga

Fazer pequenas pausas para caminhar ao longo da jornada de trabalho pode reduzir a fadiga, melhorar o humor e contribuir para minimizar os efeitos do sedentarismo sem comprometer a produtividade. A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista científica British Journal of Sports Medicine, que avaliou a eficácia de diferentes intervalos para movimentação durante o expediente. Segundo os pesquisadores, caminhar por apenas cinco minutos a cada hora apresentou o melhor equilíbrio entre facilidade de adoção e benefícios para a saúde.

Os autores afirmam que a prática pode servir como uma medida simples para reduzir os riscos associados aos longos períodos em posição sentada, realidade cada vez mais comum no ambiente de trabalho. Diante dos resultados, os pesquisadores sugerem que esse tipo de pausa seja considerado em futuras diretrizes de atividade física e em políticas voltadas à promoção da saúde.

O estudo lembra que adultos que vivem em países de alta renda permanecem, em média, entre 11 e 12 horas por dia em comportamento sedentário. Esse padrão tem sido apontado como um problema de saúde pública por estar relacionado ao aumento do risco de diversas doenças crônicas e também da mortalidade.

Embora pesquisas realizadas em laboratório já indicassem que pequenas pausas para movimentação poderiam amenizar os efeitos do excesso de tempo sentado, os autores buscaram verificar se essa prática também seria eficaz em situações reais de trabalho, envolvendo diferentes perfis profissionais.

Para isso, foram analisados dados de 19.342 adultos nos Estados Unidos, com participantes de diferentes idades, ocupações e ambientes de trabalho. O objetivo foi avaliar tanto a viabilidade da adoção das pausas quanto seus efeitos sobre o bem-estar e o desempenho profissional.

Durante o experimento, aproximadamente 60% dos participantes, o equivalente a 11.484 pessoas, passaram a fazer pausas de cinco minutos para caminhar em intervalos de 30 minutos, uma hora ou duas horas. A distribuição ocorreu da seguinte forma: 32% realizaram pausas a cada 30 minutos, 47% a cada 60 minutos e 21% a cada 120 minutos. A intervenção foi mantida durante 14 dias, após um período inicial de sete dias em que os voluntários seguiram sua rotina habitual.

Ao longo de 21 dias, a maior parte dos participantes respondeu questionários destinados a medir alterações na fadiga, no humor e no desempenho no trabalho. Além disso, uma amostra aleatória formada por 1.200 trabalhadores em tempo integral recebeu cinco questionários diários enviados por mensagem de texto para avaliar os efeitos imediatos das pausas para movimentação.

Os pesquisadores verificaram que as três frequências de pausas foram consideradas viáveis, aceitáveis e adequadas pelos participantes. Todas receberam pontuações superiores a três nos critérios avaliados, indicando potencial para serem implementadas na rotina de trabalho. A viabilidade foi maior entre os intervalos mais longos, enquanto a aceitação e a adequação permaneceram elevadas em todas as modalidades analisadas.

Os resultados também mostraram melhora consistente nos indicadores de bem-estar. Os participantes relataram redução da fadiga, diminuição do humor deprimido e aumento do bom humor independentemente da frequência adotada. Entre as opções testadas, entretanto, caminhar por cinco minutos a cada hora apresentou os melhores resultados ao combinar facilidade de implementação com benefícios físicos e emocionais.

Segundo os autores, a adoção de pausas curtas para movimentação representa uma alternativa simples, de baixo custo e facilmente incorporada ao cotidiano profissional, podendo contribuir para reduzir os impactos do sedentarismo sem afetar o rendimento no trabalho.

Por O Correio de Hoje

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