O Rio Grande do Norte possui
atualmente uma das maiores filas para transplante de córnea do Brasil, com
pacientes chegando a esperar até três anos pelo procedimento. O alerta foi
feito pelo presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Norte, Anderson
Martins, durante entrevista ao Bom Dia RN, da Inter TV Cabugi, ao abordar a
campanha de conscientização sobre o ceratocone, uma das principais causas de
transplante de córnea no país.
Segundo o especialista, a
doença ainda é pouco conhecida pela população, apesar da frequência com que
ocorre. O ceratocone provoca alterações progressivas na córnea e pode
comprometer a visão de forma significativa quando não é identificado e tratado
precocemente.
“Uma das principais causas de
transplante de córnea no Brasil é ainda muito pouco conhecida, que é o
ceratocone, que é uma doença que a gente tem visto uma prevalência muito grande
ainda aqui no Estado. A gente espera que em cada 50 pessoas, uma possa ter o
ceratocone. Se não for descoberto precocemente, vai evoluir no futuro para um
transplante de córnea, e aqui a gente tem uma das piores filas de transplante
de córnea ainda do Brasil, com a demora de até 3 anos para se conseguir um
órgão”, afirmou.
A preocupação é maior porque a
doença atinge principalmente adolescentes e jovens adultos, justamente uma
parcela da população em idade escolar ou economicamente ativa. De acordo com
Anderson Martins, a demora para a realização do transplante pode resultar em
longos períodos de comprometimento visual.
Entre os fatores que favorecem o desenvolvimento e a progressão da doença, o especialista destacou um hábito comum, principalmente entre crianças e pessoas com alergias oculares: o ato de coçar os olhos.
“Coçar os olhos é o principal fator de risco para ceratocone, e o pior que coçar os olhos, às vezes, a pessoa acha que é inofensivo, mas pode deformar a sua córnea até chegar à necessidade de um transplante no futuro.”
O ceratocone geralmente começa a se manifestar na adolescência e apresenta maior progressão até o início da vida adulta. Por isso, a identificação dos primeiros sinais é considerada fundamental para evitar o agravamento do quadro.
“Ele vai dando pequenos sinais, às vezes uma sensibilidade mais forte à luz, a coceira ocular quase sempre frequente, aquele paciente que está trocando mais de uma vez por ano de óculos, que o grau está mudando muito rapidamente, ou até uma visão dupla, que não melhora nem com óculos.”
Segundo Anderson Martins, o tratamento varia conforme o estágio da doença. Quando o diagnóstico é feito precocemente, existem alternativas capazes de interromper ou reduzir a progressão do problema, diminuindo a necessidade de transplante.
O médico explicou que o controle das alergias oculares é uma das principais estratégias para evitar o agravamento da doença.
A campanha realizada ao longo do mês de junho busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre a doença e incentivar a procura por avaliação oftalmológica diante dos primeiros sintomas.
A orientação dos especialistas é que crianças, adolescentes e adultos que apresentem mudanças frequentes de grau, alergias oculares persistentes ou alterações na qualidade da visão procurem atendimento médico para investigação precoce.
Via: CNN

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