O Brasil precisou superar um
susto, encontrou dificuldades diante da organizada defesa japonesa e buscou a
virada nos minutos finais para confirmar presença nas oitavas de final da Copa
do Mundo de 2026. Nesta segunda-feira 29, a equipe comandada por Carlo
Ancelotti derrotou o Japão por 2 a 1, em Houston, pela fase 16 avos de final,
com gols de Casemiro e Gabriel Martinelli. Kaishu Sano abriu o placar para os
japoneses ainda no primeiro tempo.
A classificação manteve vivo o
sonho do hexacampeonato e colocou a Seleção nas oitavas de final, quando
enfrentará o vencedor do confronto entre Costa do Marfim e Noruega. A partida
está marcada para o próximo domingo 5, às 17h (horário de Brasília), no MetLife
Stadium, em Nova Jersey.
O roteiro da partida foi de
pressão brasileira, eficiência japonesa e alívio apenas nos acréscimos. Durante
boa parte do primeiro tempo, o Brasil controlou a posse de bola, chegando a
superar os 60%, mas encontrou dificuldades para desmontar o sistema defensivo
montado pelo Japão, que atuava com uma linha de cinco defensores e apostava nos
contra-ataques.
Mesmo com maior volume
ofensivo, a Seleção criou poucas oportunidades claras. Bruno Guimarães e
Matheus Cunha finalizaram, mas sem sucesso. Do outro lado, o Japão aproveitou
um erro na saída de bola para abrir o marcador. Aos 28 minutos, Sano
interceptou um passe de Danilo, avançou em velocidade e bateu no canto de
Alisson. Casemiro, que já havia recebido cartão amarelo, optou por não cometer
a falta para evitar uma possível expulsão.
O gol evidenciou as
dificuldades do Brasil na primeira etapa. Casemiro, Lucas Paquetá e Danilo
cometeram erros de passe e tiveram dificuldades para acelerar a circulação da
bola. A equipe terminou o primeiro tempo em desvantagem e sob pressão,
repetindo problemas já observados na fase de grupos diante da Escócia.
Na volta do intervalo, Carlo
Ancelotti promoveu mudanças para aumentar o poder ofensivo. Endrick entrou no
lugar de Lucas Paquetá, que deixou o gramado lesionado, e a equipe passou a
pressionar o adversário desde os primeiros minutos da etapa final.
A resposta foi rápida. Aos
sete minutos, Casemiro quase empatou após cruzamento de Rayan, mas a defesa
japonesa evitou o gol praticamente sobre a linha. Dois minutos depois, porém, o
volante apareceu novamente na área. Em cruzamento preciso de Gabriel Magalhães,
Casemiro subiu entre os defensores e cabeceou firme para igualar o placar.
O gol mudou o panorama da partida. O Brasil passou a atuar quase exclusivamente no campo ofensivo, apostando em cruzamentos, inversões de jogo e maior intensidade pelos lados do campo. O Japão resistiu à pressão e levou o empate até os minutos finais, quando parecia encaminhar a decisão para a prorrogação.
Aos 21 minutos da etapa final,
Gabriel Martinelli entrou no lugar de Matheus Cunha e aumentou a velocidade do
ataque brasileiro. A alteração mostrou resultado nos acréscimos. Após roubada
de bola de Rayan no campo ofensivo, Bruno Guimarães recebeu na entrada da área,
girou sobre a marcação e encontrou Martinelli infiltrando pelo lado esquerdo. O
atacante finalizou cruzado, sem chances para o goleiro Suzuki, e decretou a
virada brasileira aos 49 minutos do segundo tempo.
Além do gol de Casemiro, a
atuação do volante foi marcada por altos e baixos. Antes do empate, ele havia
participado do lance que originou o gol japonês ao errar um passe de calcanhar
e, por estar amarelado, evitou interromper o avanço de Sano com falta. Na etapa
final, porém, compensou os erros ao marcar de cabeça e liderar o setor de
meio-campo até deixar o gramado com dores na virilha antes do encerramento do
tempo regulamentar.
O principal nome da partida,
entretanto, foi Bruno Guimarães. O meio-campista do Newcastle comandou a
construção ofensiva brasileira durante os 90 minutos, foi o jogador que mais
trocou passes na partida — 126, com 121 certos — e participou diretamente dos
dois gols da Seleção. Primeiro, ao realizar o cruzamento que encontrou Casemiro
na área. Depois, ao servir Gabriel Martinelli no lance da vitória. Com mais uma
assistência, tornou-se o líder do fundamento nesta Copa do Mundo.
Outro destaque foi o jovem
Rayan. O atacante participou da jogada do primeiro gol ao cruzar para Casemiro
e iniciou a recuperação da bola que originou a virada, mostrando personalidade
em um momento decisivo do mata-mata.
A classificação mantém o
Brasil entre os candidatos ao título, mas também deixa lições para a sequência
da competição. Apesar do domínio territorial e da superioridade na posse de
bola, a equipe voltou a apresentar dificuldades para transformar volume ofensivo
em chances claras diante de adversários bem organizados defensivamente. Contra
Costa do Marfim ou Noruega, nas oitavas de final, a Seleção buscará repetir a
capacidade de reação demonstrada diante do Japão, mas com menos sofrimento para
seguir na disputa pelo sexto título mundial.
Via: Agora RN
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