quarta-feira, 1 de abril de 2026

CRISE DE SEGURANÇA: Ataques de gangue deixam ao menos 70 mortos no Haiti e ampliam crise de segurança

 

Ao menos 70 pessoas morreram em ataques descritos como “brutais e coordenados” na cidade de Petite Rivière de l’Artibonite, no centro do Haiti, no último fim de semana. A informação foi divulgada nesta terça-feira (31) pelo chefe do escritório da Organização das Nações Unidas no país, Carlos Ruiz Massieu.

“Essa violência indiscriminada é mais um lembrete da necessidade urgente de maior apoio ao Haiti contra o flagelo das gangues e das redes que as sustentam”, afirmou Massieu em publicação nas redes sociais.

De acordo com relatos locais, integrantes da gangue Gran Grif incendiaram residências e atacaram moradores da região. O ativista de direitos humanos Bertide Horace relatou novos episódios de violência registrados na segunda-feira (30), indicando a continuidade das ações criminosas.

Segundo Pierre Esperance, da Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, os ataques incluíram disparos contra pessoas que tentavam fugir dos incêndios, além de execuções à queima-roupa.

O número exato de vítimas ainda não foi confirmado. Estimativas iniciais variavam entre 16 e 80 mortos, e o acesso limitado à área dificulta a contagem oficial. O promotor Venson François, da cidade vizinha de Saint-Marc, afirmou que as condições de deslocamento impedem a verificação precisa do total de corpos.

O episódio ocorre em meio a uma escalada de violência no Haiti, marcada pela atuação de gangues armadas que controlam territórios e promovem assassinatos, sequestros e estupros. Dados recentes da ONU apontam que ao menos 1.424 pessoas foram mortas e 790 ficaram feridas em episódios recentes de violência.

As operações das forças de segurança também têm contribuído para o elevado número de vítimas, com pelo menos 3.497 mortos e 1.742 feridos. Já ações de grupos de autodefesa resultaram em 598 mortes e 76 feridos.

Relatório recente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos indica que mais de 5.500 pessoas morreram entre março de 2025 e meados de janeiro deste ano, somando vítimas tanto da violência de gangues quanto das ações de combate.

O agravamento da crise reforça a pressão por apoio internacional ao Haiti, em um cenário de fragilidade institucional e dificuldades operacionais das forças de segurança para conter a expansão dos grupos criminosos.

Via: Por O Correio de Hoje

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