Ao menos 70 pessoas morreram
em ataques descritos como “brutais e coordenados” na cidade de Petite Rivière
de l’Artibonite, no centro do Haiti, no último fim de semana. A informação foi
divulgada nesta terça-feira (31) pelo chefe do escritório da Organização das
Nações Unidas no país, Carlos Ruiz Massieu.
“Essa violência indiscriminada
é mais um lembrete da necessidade urgente de maior apoio ao Haiti contra o
flagelo das gangues e das redes que as sustentam”, afirmou Massieu em
publicação nas redes sociais.
De acordo com relatos locais,
integrantes da gangue Gran Grif incendiaram residências e atacaram moradores da
região. O ativista de direitos humanos Bertide Horace relatou novos episódios
de violência registrados na segunda-feira (30), indicando a continuidade das
ações criminosas.
Segundo Pierre Esperance, da
Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos, os ataques incluíram disparos
contra pessoas que tentavam fugir dos incêndios, além de execuções à
queima-roupa.
O número exato de vítimas
ainda não foi confirmado. Estimativas iniciais variavam entre 16 e 80 mortos, e
o acesso limitado à área dificulta a contagem oficial. O promotor Venson
François, da cidade vizinha de Saint-Marc, afirmou que as condições de deslocamento
impedem a verificação precisa do total de corpos.
O episódio ocorre em meio a
uma escalada de violência no Haiti, marcada pela atuação de gangues armadas que
controlam territórios e promovem assassinatos, sequestros e estupros. Dados
recentes da ONU apontam que ao menos 1.424 pessoas foram mortas e 790 ficaram
feridas em episódios recentes de violência.
As operações das forças de
segurança também têm contribuído para o elevado número de vítimas, com pelo
menos 3.497 mortos e 1.742 feridos. Já ações de grupos de autodefesa resultaram
em 598 mortes e 76 feridos.
Relatório recente do Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos indica que mais de
5.500 pessoas morreram entre março de 2025 e meados de janeiro deste ano,
somando vítimas tanto da violência de gangues quanto das ações de combate.
O agravamento da crise reforça
a pressão por apoio internacional ao Haiti, em um cenário de fragilidade
institucional e dificuldades operacionais das forças de segurança para conter a
expansão dos grupos criminosos.
Via: Por O Correio de Hoje


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