sexta-feira, 10 de abril de 2026

VAPE: Indústria do tabaco pressiona pela legalização dos cigarros eletrônicos no Brasil

A Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo), que representa empresas do setor como a BAT (British American Tobacco) e a Philip Morris, tem intensificado a pressão pela revisão da proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil. Para sustentar sua posição, a entidade utiliza dados de pesquisas conduzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde.

Atualmente, a BAT controla a antiga Souza Cruz, responsável por marcas como Hollywood, Derby, Dunhill e Rothmans. Já a Philip Morris detém os rótulos Marlboro, L&M e Chesterfield, consolidando a relevância das empresas no mercado nacional de tabaco.

A Abifumo cita informações da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que indicam aumento no uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Segundo o levantamento, a proporção de jovens que já experimentaram o dispositivo passou de 16,8% para quase 30%.

Na avaliação da entidade, a proibição dos vapes prejudica o controle sanitário e a fiscalização da idade dos consumidores, favorecendo a comercialização irregular e facilitando o acesso de menores a produtos ilegais.

A associação também argumenta que a elevação da carga tributária sobre o cigarro tradicional incentiva a migração dos consumidores para o mercado ilegal. Entre os produtos mais procurados estariam os próprios cigarros eletrônicos, os sachês de nicotina — tendência entre jovens na Europa e já presente no mercado paralelo brasileiro — e os cigarros falsificados.

Por outro lado, o Ministério da Saúde e especialistas em saúde pública defendem a manutenção da proibição. Eles afirmam que ainda não há evidências científicas suficientes sobre os efeitos de longo prazo dos dispositivos, considerados relativamente recentes e em constante evolução tecnológica.

Outro fator de preocupação é o perfil dos usuários, predominantemente jovens. Muitos consumidores estão na adolescência ou na faixa dos 20 anos, o que dificulta a avaliação dos impactos à saúde ao longo do tempo.

Além disso, o uso simultâneo de cigarros convencionais e vaporizadores é frequente, o que dificulta a identificação isolada dos danos provocados pelos dispositivos eletrônicos.

Estudos internacionais também apontam riscos. A Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses) alerta que o uso de vapes pode trazer prejuízos à saúde, com potenciais efeitos cardiovasculares, como aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca.

O debate sobre a regulamentação dos cigarros eletrônicos segue em curso no Brasil, colocando em lados opostos interesses da indústria e preocupações das autoridades sanitárias quanto à proteção da saúde pública.

Por O Correio de Hoje

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