A Associação Brasileira da
Indústria do Fumo (Abifumo), que representa empresas do setor como a BAT
(British American Tobacco) e a Philip Morris, tem intensificado a pressão pela
revisão da proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil. Para sustentar sua
posição, a entidade utiliza dados de pesquisas conduzidas pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da
Saúde.
Atualmente, a BAT controla a
antiga Souza Cruz, responsável por marcas como Hollywood, Derby, Dunhill e
Rothmans. Já a Philip Morris detém os rótulos Marlboro, L&M e Chesterfield,
consolidando a relevância das empresas no mercado nacional de tabaco.
A Abifumo cita informações da
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que indicam aumento no uso de
cigarros eletrônicos entre adolescentes. Segundo o levantamento, a proporção de
jovens que já experimentaram o dispositivo passou de 16,8% para quase 30%.
Na avaliação da entidade, a
proibição dos vapes prejudica o controle sanitário e a fiscalização da idade
dos consumidores, favorecendo a comercialização irregular e facilitando o
acesso de menores a produtos ilegais.
A associação também argumenta
que a elevação da carga tributária sobre o cigarro tradicional incentiva a
migração dos consumidores para o mercado ilegal. Entre os produtos mais
procurados estariam os próprios cigarros eletrônicos, os sachês de nicotina —
tendência entre jovens na Europa e já presente no mercado paralelo brasileiro —
e os cigarros falsificados.
Por outro lado, o Ministério
da Saúde e especialistas em saúde pública defendem a manutenção da proibição.
Eles afirmam que ainda não há evidências científicas suficientes sobre os
efeitos de longo prazo dos dispositivos, considerados relativamente recentes e
em constante evolução tecnológica.
Outro fator de preocupação é o
perfil dos usuários, predominantemente jovens. Muitos consumidores estão na
adolescência ou na faixa dos 20 anos, o que dificulta a avaliação dos impactos
à saúde ao longo do tempo.
Além disso, o uso simultâneo
de cigarros convencionais e vaporizadores é frequente, o que dificulta a
identificação isolada dos danos provocados pelos dispositivos eletrônicos.
Estudos internacionais também
apontam riscos. A Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses)
alerta que o uso de vapes pode trazer prejuízos à saúde, com potenciais efeitos
cardiovasculares, como aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca.
O debate sobre a
regulamentação dos cigarros eletrônicos segue em curso no Brasil, colocando em
lados opostos interesses da indústria e preocupações das autoridades sanitárias
quanto à proteção da saúde pública.
Por O Correio de Hoje


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