sábado, 26 de setembro de 2026

SAÚDE: Obesidade ainda é negligenciada e acesso a tratamentos permanece restrito

A obesidade permanece negligenciada na atenção primária à saúde brasileira, a despeito dos notáveis avanços terapêuticos registrados nos últimos anos. Esta é a avaliação da médica nutróloga e ginecologista Maria Socorro Morais, que atua como docente e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e é pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Núcleo de Tecnologias Estratégicas Aplicadas à Saúde (NUTE), da Universidade Estadual da Paraíba.

A especialista destaca que, embora o Brasil enfrente uma pandemia de obesidade, a integração de novas tecnologias ao cotidiano da população ainda esbarra em limitações severas. "Embora tenhamos avanços terapêuticos significativos, o acesso a esses tratamentos permanece restrito", pontua. A médica exemplifica a questão com os análogos e as incretinas — hormônios intestinais que auxiliam no controle da glicemia —, cujos custos elevados ainda restringem o uso a uma parcela da sociedade com maior poder aquisitivo.

O desafio da equidade no SUS

A incorporação dessas terapias no Sistema Único de Saúde (SUS) é tema de debates contínuos. Contudo, para Maria Socorro Morais, a implementação ampla deve ocorrer apenas no médio prazo. A médica reconhece o SUS como um sistema de referência, mas ressalta que a estrutura está em constante adaptação para absorver desafios crescentes, como o envelhecimento populacional e o aumento dos quadros de obesidade.

Além da medicação, a especialista enfatiza que o tratamento deve transcender a simples perda de peso. A abordagem, na visão da médica, exige educação continuada e a valorização do autocuidado. Em um caso clínico conduzido por uma equipe interdisciplinar, uma paciente de 29 anos com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e esteatose hepática obteve resultados expressivos após um protocolo de 14 meses. Com o uso de intervenções como metformina e agonistas de GLP-1, aliado a mudanças dietéticas, a paciente reduziu de 110 kg para 74 kg, viabilizando o sonho de um planejamento gestacional seguro.

"O sucesso não é apenas o número na balança; trata-se de reduzir a adiposidade e melhorar o perfil metabólico. Ao otimizar a saúde da mulher, impactamos todo o núcleo familiar", conclui a profissional, que acumulou quase 30 anos de experiência na Maternidade Escola Januário Cicco, da UFRN

Via: Blog do FM

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