Investigações recentes mostram
que recursos do PCC (Primeiro Comando da Capital) foram identificados em
pequenos negócios e grandes empresas, incluindo firmas que prestam serviços ao
poder público, franquias, empreendimentos ilegais na Amazônia e empresas no
interior de São Paulo. Em muitos casos, as estruturas eram usadas para lavagem
de dinheiro, mas apurações mais recentes indicam investimento direto da facção
em negócios lícitos.
Segundo o Ministério Público
de São Paulo (MPSP), há indícios de envolvimento do PCC em empresas de ônibus
que atuaram na capital paulista e na compra de usinas sucroalcooleiras
investigadas na Operação Carbono Oculto, que aponta presença de pessoas ligadas
à facção em diferentes etapas da cadeia de combustíveis. O promotor Lincoln
Gakiya, do Gaeco, estimou em R$ 10 bilhões o faturamento anual da organização.
O PCC consolidou-se como um
dos principais grupos de tráfico de drogas da América do Sul, com atuação em
países produtores de coca, envio de drogas para a Europa e a África e parcerias
com organizações estrangeiras, como a máfia italiana ’Ndrangheta. A expansão se
intensificou a partir de 2016, após a morte de Jorge Rafaat Toumani, quando a
facção passou a dominar a chamada “rota Caipira”, entre Paraguai, Mato Grosso
do Sul e São Paulo.
A facção também atua na rota
do Solimões, usando grupos locais e, em períodos de seca, helicópteros para
transporte de drogas. Outras fontes de renda incluem contravenção, como jogos
ilegais, golpes financeiros por telefone e internet, além de fraudes em
licitações públicas.
Operações policiais
identificaram lavagem de dinheiro em casas de apostas, lojas de carros de luxo
e empresas de transporte público. Em 2024, a Operação Fim da Linha investigou a
UPBus, ligada a líderes do PCC. Em julho de 2025, a Justiça condenou Vagner
Borges Dias por liderar um esquema de fraude em licitações associado à facção,
envolvendo contratos em diversos municípios paulistas.
Na Operação Carbono Oculto,
autoridades apontaram que uma organização ligada ao PCC controla desde usinas
sucroalcooleiras até postos de combustíveis e lojas de conveniência. Em uma das
redes investigadas, com cerca de 200 estabelecimentos, foram encontradas bombas
adulteradas e indícios de lavagem de dinheiro.
Com informações de Folha de S.
Paulo


Nenhum comentário:
Postar um comentário