As famosas “canetas
emagrecedoras”, medicamentos originalmente desenvolvidos para o tratamento do
diabetes tipo 2, podem interferir no preparo anestésico de cirurgias e exames
com sedação. Sérgio Lima, diretor da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas
do Rio Grande do Norte (Coopanest), alerta que não informar ao médico sobre o
uso desse medicamento pode comprometer a segurança do paciente.
Cada vez mais usadas para
perda de peso, as chamadas “canetas” de emagrecimento não representam, em
regra, um risco maior para a anestesia — pelo contrário, costumam equilibrar o
paciente, melhorar o metabolismo e a saúde hepática. O alerta dos anestesiologistas
é outro: esses medicamentos retardam o esvaziamento gástrico e, se o uso não
for comunicado, podem aumentar o risco de refluxo e aspiração durante a
anestesia.
Conforme o Sérgio Lima, para
fazer cirurgias é necessário estar de estômago vazio: “Um dos efeitos dessa
canetinha é diminuir o trânsito, a velocidade do trânsito intestinal, então os
alimentos começam a descer de forma mais lenta e passam mais tempo no estômago.
Como passam mais tempo no estômago, o esvaziamento gástrico se faz de forma
lenta.”
Durante a anestesia, o
paciente permanece por um período sem consciência e, nesse momento, pode ser
necessário auxiliá-lo com ventilação. Esse processo pode fazer com que o ar
entre no estômago, aumentando o risco de refluxo. “Se você vomita inconsciente,
você não tem reflexo na garganta. Esse líquido que volta é ácido e pode ir para
os pulmões”, explica.
Em alguns casos, a conduta
pode incluir um preparo diferenciado, com jejum de 24 horas restrito a líquidos
claros, seguido do jejum absoluto habitual de pelo menos oito horas antes do
procedimento. Atualmente, também é possível utilizar o ultrassom para avaliar,
no momento da anestesia, se ainda há resíduo no estômago e confirmar se ele
está realmente vazio.


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