“Estou profundamente abalado.
Nunca aconteceu isso, tenho 15 anos de caminhada”, disse o artista pernambucano
Ranilson Viana após o incêndio que destruiu a estátua de Nossa Senhora de
Fátima em construção no bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal, na tarde de
terça-feira 24. A estrutura foi tomada pelas chamas e desabou durante o
trabalho no canteiro de obras.
A imagem teria 35 metros de
altura sobre uma base de 8 metros — cerca de 43 metros no total — e era
construída com blocos de isopor. Apenas a cabeça e a coroa, que ainda não
haviam sido instaladas, não foram destruídas. O fogo começou após um
curto-circuito em uma máquina de solda utilizada na obra, informação que foi
confirmada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura de Natal.
No momento do incidente, três
trabalhadores atuavam na montagem da estrutura com o auxílio de um guindaste.
Um deles sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus, recebeu atendimento no
local e foi encaminhado ao hospital. Não houve registro de vítimas graves.
O Corpo de Bombeiros Militar
do Rio Grande do Norte informou que foi acionado por volta das 14h30 e
mobilizou três caminhões do tipo Auto Bomba Tanque Salvamento (ABTS), além de
unidades de resgate e salvamento e um oficial de operações. Cerca de 20 militares
participaram da ocorrência, utilizando aproximadamente 15 mil litros de água
até a completa extinção do incêndio. Após o combate às chamas, a área foi
interditada para avaliação estrutural e apuração detalhada das causas.
A estátua integra o Complexo
Turístico Religioso Nossa Senhora de Fátima, projeto coordenado pela Prefeitura
do Natal com orçamento global estimado em R$ 15 milhões. Apenas a construção da
escultura estava orçada em cerca de R$ 5 milhões. A obra começou em novembro de
2024 e tinha conclusão prevista para abril de 2026, incluindo pintura e
acabamentos.
Além da imagem monumental, o
projeto prevê pavimentação das vias do entorno, acessibilidade, iluminação
cênica, cercamento com gradil, estacionamento e estrutura de apoio ao
visitante. Após o incêndio, um novo cronograma deverá ser elaborado e o uso do
material na construção passará por reavaliação.
Em nota oficial, a Prefeitura informou que Ranilson Viana se comprometeu a se responsabilizar integralmente pela recuperação da imagem e a retomar os serviços assim que as condições estruturais permitirem, sem prejuízo financeiro para o município. A proposta do complexo é transformar a Zona Norte em um novo polo de turismo religioso, ampliando os atrativos da capital potiguar além do tradicional turismo de sol e mar.


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