Uma equipe de cientistas
desenvolveu um spray nasal de nanopartículas capaz de transportar medicamentos
diretamente ao cérebro para reduzir danos provocados pelo acidente vascular
cerebral (AVC). A tecnologia foi criada por pesquisadores da Faculdade de Medicina
LKS da Universidade de Hong Kong (HKUMed), em parceria com o Centro de
Instrumentação Biomédica Avançada (ABIC), e pode representar uma nova
alternativa para atendimento emergencial antes da chegada do paciente ao
hospital.
Segundo os pesquisadores, o
principal diferencial do produto está na capacidade de atravessar a barreira
hematoencefálica — sistema natural de proteção do cérebro que impede a passagem
da maioria dos medicamentos. A inovação permite que substâncias neuroprotetoras
alcancem rapidamente áreas cerebrais afetadas sem necessidade de procedimentos
invasivos, como cirurgias ou injeções.
O AVC isquêmico, responsável
pela maior parte dos casos da doença, ocorre quando há interrupção do fluxo
sanguíneo para o cérebro. Atualmente, os tratamentos disponíveis dependem de
uma janela de tempo considerada limitada, além de critérios clínicos rigorosos.
Em muitos casos, pacientes não conseguem receber atendimento especializado a
tempo, aumentando o risco de sequelas permanentes e mortes.
De acordo com os cientistas, mais de 85% dos pacientes deixam de receber tratamento dentro do período ideal para evitar danos mais graves. Mesmo quando há sucesso na intervenção hospitalar, muitos não conseguem recuperar completamente funções motoras e neurológicas. A pesquisa descreve que a equipe trabalhou durante mais de uma década no desenvolvimento da plataforma tecnológica utilizada no spray, chamada de “nano-em-mícron”. Posteriormente, o sistema foi adaptado para a criação do produto denominado NanoPowder Nasal Spray.
“O spray nasal caracteriza-se
por sua resposta rápida, portabilidade e facilidade de uso. Ele permite que os
pacientes recebam proteção precoce a caminho do hospital ou mesmo em casa,
retardando significativamente a morte de células cerebrais em condições
isquêmicas e preservando efetivamente os tecidos cerebrais ainda viáveis,
ganhando assim um tempo valioso para tratamentos subsequentes”, afirmou Alvia
Chow Shing-fung, professora do Departamento de Farmacologia e Farmácia da
HKUMed e pesquisadora do ABIC.
