Se os adultos brasileiros que
hoje não praticam nenhum exercício passassem a se movimentar por pelo menos dez
minutos por dia, cerca de 420 mil casos de demência poderiam ser evitados até
2050. A mudança representaria uma economia de até R$ 16 bilhões em custos relacionados
à doença.
A estimativa é de um estudo
conduzido por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos, publicado em 2025
no Brazilian Journal of Psychiatry. Em um cenário no qual a inatividade física
fosse completamente eliminada, a economia poderia chegar a R$ 23
bilhões.
Os autores combinaram dados de
2019 da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em
parceria com o IBGE, com informações do Global Burden of Disease, conduzido nos
Estados Unidos.
O tamanho do fator de risco
O número que sustenta a
projeção é este: a inatividade física está associada a 14,9% dos casos de
demência no país. O comportamento sedentário aparece como fator de risco
relevante, elevando entre 17% e 30% a probabilidade de desenvolver a doença.
É importante situar o que o
estudo é e o que não é. Trata-se de uma estimativa de modelagem — os
pesquisadores cruzaram a prevalência de sedentarismo na população brasileira
com o risco atribuível conhecido na literatura para projetar cenários. Não é um
ensaio clínico que acompanhou pessoas ao longo do tempo, e os números
representam potencial evitável, não resultado observado.
Isso não enfraquece a
recomendação, mas define seu alcance: a projeção indica quanto o país deixaria
de gastar se mudasse um comportamento, não uma garantia individual de que dez
minutos diários impedirão a doença em cada pessoa.
Por que o exercício protege
A prática regular de atividade
física melhora a função cognitiva e reduz o risco de eventos cerebrovasculares,
como o acidente vascular cerebral — que está entre os fatores associados ao
desenvolvimento de quadros demenciais. O efeito combina melhora do fluxo
sanguíneo cerebral, controle de pressão arterial, glicemia e peso, e estímulo a
conexões neurais.
O ponto que diferencia este
estudo de recomendações genéricas é o patamar de entrada. A projeção não parte
de metas ambiciosas: ela mede o que aconteceria se quem hoje não faz nada
passasse a fazer dez minutos. É uma barreira baixa, desenhada para alcançar
justamente a parcela da população mais distante de qualquer rotina de
exercício.
O estudo foi noticiado
originalmente por O Correio de Hoje, em reportagem sobre a relação entre
atividade física e prevenção da demência.
Via: Agora
RN

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