O ataque do Irã contra uma
base usada pelos Estados Unidos na Jordânia encerrou a pausa nos bombardeios
americanos e abriu uma nova fase no conflito no Oriente Médio. O Comando
Central dos EUA (Centcom) informou nesta quinta-feira, 30, que atingiu dezenas
de instalações da Guarda Revolucionária em uma ofensiva com duração aproximada
de duas horas.
A ação iraniana ocorreu poucos
dias depois de o presidente Donald Trump suspender os ataques ao território do
país para permitir o avanço de negociações indiretas. Cinco mísseis balísticos
foram interceptados pelas defesas jordanianas, sem registro de vítimas. Trump
afirmou que os Estados Unidos responderiam “muito duramente”, apesar de os
projéteis não terem atingido a base.
A Guarda Revolucionária
assumiu o lançamento e afirmou que manterá a ofensiva enquanto persistirem
ameaças contra os interesses iranianos. A escolha do alvo chamou atenção porque
a mesma instalação havia sido atingida recentemente em um ataque que matou militares
americanos. O Pentágono classificou a nova ação como uma tentativa de ataque
surpresa.
Uma das hipóteses avaliadas é
que Teerã tenha buscado responder ao ataque ucraniano contra um navio iraniano
no Mar Cáspio, acusado por Kiev de transportar material militar para a Rússia.
Segundo o New York Times, autoridades iranianas chegaram a
considerar um ataque a um porto da Ucrânia, mas recuaram diante do risco de
abrir outra frente de guerra. Não há confirmação de que o episódio tenha
motivado a ofensiva na Jordânia.
A escalada ocorre em paralelo
a ataques de grupos ligados ao Irã contra instalações de petróleo da Arábia
Saudita e rotas comerciais no Mar Vermelho. Drones atingiram ainda embarcações
no porto egípcio de Damietta, próximo ao Canal de Suez. Os Estados Unidos e a
Arábia Saudita responderam com bombardeios contra milícias apoiadas por Teerã
no Iraque.
Os ataques elevaram a
volatilidade no mercado de energia. O petróleo Brent superou US$ 90 por barril
na quarta-feira, 29, antes de recuar para cerca de US$ 89 nesta quinta-feira,
30, diante da proposta saudita de formar uma coalizão para proteger as rotas do
Mar Vermelho e do Golfo de Áden.
As negociações também
enfrentam impasse sobre o Estreito de Ormuz. O Irã rejeitou uma proposta de Omã
para a administração conjunta da passagem e reivindica maior controle sobre as
rotas de entrada e saída. Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido
globalmente atravessava o estreito, segundo a Administração de Informação de
Energia dos Estados Unidos.
A retomada dos bombardeios
reduz a perspectiva de um acordo no curto prazo e aumenta os riscos para países
que recebem forças americanas. Também ameaça ampliar custos de transporte,
seguros marítimos e energia caso os ataques alcancem novas instalações petrolíferas
ou restrinjam ainda mais a circulação por Ormuz e pelo Mar Vermelho.
Por O Correio de Hoje

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