A guerra entre Estados Unidos
e Irã entrou em uma nova fase de escalada militar nesta quinta-feira (16), com
a ampliação dos bombardeios americanos contra alvos estratégicos iranianos e
uma resposta de Teerã que atingiu bases militares dos EUA em países do Golfo. O
avanço do conflito elevou as preocupações sobre a estabilidade do mercado
internacional de energia, diante da possibilidade de interrupções no Estreito
de Ormuz, principal corredor marítimo para a exportação de petróleo do Oriente
Médio.
Pela primeira vez desde o
início da atual ofensiva, forças americanas realizaram ataques nos arredores de
Teerã, além de atingir instalações militares e sistemas de defesa em diferentes
províncias iranianas. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom),
os bombardeios tiveram como alvo centros de comando, baterias de defesa aérea,
estruturas de lançamento de mísseis, drones e instalações de vigilância
costeira.
Entre os locais atingidos
estão áreas próximas à capital iraniana, a província de Semnan — onde funcionam
parte do programa espacial e instalações ligadas à produção de mísseis
balísticos — e Bandar Abbas, cidade que abriga o principal porto iraniano e importantes
bases da Marinha e da Guarda Revolucionária às margens do Estreito de Ormuz.
No sul do país, bombardeios próximos à cidade de Ahvaz provocaram a evacuação do Hospital Especializado Baghaei. Segundo autoridades locais, 211 pacientes foram transferidos, incluindo pessoas em tratamento oncológico e pacientes dependentes de oxigênio e ventilação mecânica. “Infelizmente, a área ao redor foi fortemente bombardeada. Alguns dos pacientes estavam com oxigênio e ventiladores”, afirmou um funcionário do hospital à emissora Al Jazeera.
O Ministério das Relações
Exteriores do Irã classificou a ação como um “ataque bárbaro” e acusou
Washington de colocar civis em risco. O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei,
comparou o episódio aos ataques contra unidades de saúde ocorridos em conflitos
anteriores e afirmou que crianças em tratamento de quimioterapia foram
obrigadas a deixar o hospital durante a evacuação.
Em resposta à ofensiva americana, o Irã lançou uma nova série de ataques com mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait. Autoridades iranianas afirmaram ainda ter atingido centros de comunicação militares e depósitos de combustível utilizados pelas forças americanas na Jordânia. As autoridades do Kuwait informaram ter interceptado drones antes que atingissem seus alvos, enquanto o governo do Bahrein orientou a população a procurar abrigo diante da possibilidade de novos ataques.
O conflito também alcançou o tráfego marítimo na região. Militares americanos interceptaram o petroleiro Belma, de bandeira de Curaçao, que navegava em direção à ilha iraniana de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país. Segundo Washington, a embarcação ignorou sucessivos alertas antes de ser atingida por um míssil que inutilizou sua chaminé.
Outro alvo da ofensiva foi um
quartel da 388ª Brigada de Infantaria Mecanizada iraniana, na província de
Sistão e Baluchistão. A televisão estatal informou que sete militares morreram
e vários ficaram feridos após o ataque.
Enquanto os confrontos se
intensificam, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ampliar
ainda mais as operações militares. Segundo autoridades americanas ouvidas
pelo Wall Street Journal, entre as alternativas em análise estão o
envio de tropas para áreas próximas ao Estreito de Ormuz e um ataque contra a
chamada Montanha Pickaxe, complexo subterrâneo localizado nas proximidades da
instalação nuclear de Natanz.
“Vamos destruir a Montanha
Pickaxe. Digam aos iranianos para estarem preparados”, declarou Trump em
entrevista concedida nesta semana.
A liderança iraniana respondeu
elevando o tom das ameaças. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher
Ghalibaf, afirmou que o país vive uma “guerra essencial e existencial” contra
os Estados Unidos e advertiu que qualquer ataque à infraestrutura energética
iraniana provocará retaliações em toda a região.
Segundo fontes ouvidas pela
Reuters, Teerã também solicitou aos houthis, grupo aliado no Iêmen, que estejam
preparados para bloquear rotas marítimas no Mar Vermelho caso os Estados Unidos
ampliem os ataques contra instalações petrolíferas iranianas. A medida
aumentaria os riscos para o comércio internacional de petróleo.
O avanço do conflito já
repercute no mercado de energia. O barril do petróleo Brent voltou a superar
US$ 85, acumulando valorização superior a 15% desde o início da guerra. Além da
alta dos preços, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz diminuiu nos últimos
dias. Dados da consultoria Kpler mostram que apenas sete embarcações cruzaram a
hidrovia na quarta-feira, frente às 13 registradas no dia anterior.
Apesar da escalada militar,
Trump voltou a afirmar que o governo iraniano demonstra disposição para
negociar um acordo.
“Eles não gostam do que
estamos fazendo. Querem chegar a um acordo. Vamos descobrir se chegaremos a um
acordo com eles ou se simplesmente acabaremos com isso”, declarou o presidente
durante discurso na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos.
A possibilidade de novas
negociações, contudo, permanece distante diante da intensificação dos ataques
dos dois lados e da crescente preocupação internacional com a segurança das
rotas marítimas responsáveis por parcela significativa do abastecimento mundial
de petróleo.
Por O Correio de Hoje
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