A COP30 abre oficialmente
nesta segunda-feira (10) em Belém, marcada por avanços percebidos pelo governo
— como o interesse de mais de 50 países no fundo das florestas —, mas também
por desafios persistentes. Três décadas após a primeira conferência, as emissões
continuam em alta, o consumo de combustíveis fósseis cresce e o mundo segue
distante das metas do Acordo de Paris. Relatório recente da ONU reforça que as
atuais trajetórias levam o planeta a um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C, muito
acima do limite de 1,5°C estipulado em 2015.
Enquanto dados da Agência
Internacional de Energia mostram expansão das energias solar e eólica, aumento
nas vendas de veículos elétricos e investimentos recordes em energia limpa —
que somaram US$ 2,2 trilhões em 2024 —, especialistas alertam que esses avanços
ainda não substituem os combustíveis fósseis. A demanda global por carvão, por
exemplo, deve permanecer em patamar elevado até 2027, impulsionada
principalmente pela Ásia. Apesar do progresso tecnológico, o ritmo de transição
segue insuficiente para frear o aquecimento.
A Cúpula de Líderes, realizada
nos dias 6 e 7, antecipou o tom político da conferência. Em discursos firmes,
Lula defendeu o multilateralismo e a criação de mecanismos globais de
financiamento climático, incluindo a taxação mínima para super-ricos e grandes
multinacionais. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou
empresas que lucram com a crise climática, enquanto o presidente chileno,
Gabriel Boric, rebateu declarações recentes de Donald Trump, ausente da COP30,
que negam a existência do aquecimento global.
No centro das discussões
também está a NDC brasileira, que prevê reduzir entre 59% e 67% das emissões
até 2035 e zerar o desmatamento ilegal até 2030. O plano inclui ainda o
compromisso de neutralidade climática em 2050 e políticas estruturadas no Plano
de Transformação Ecológica. Especialistas avaliam que, embora factíveis, as
metas apresentadas ainda ficam abaixo do potencial ambiental do país — e a
COP30 deve pressionar por maior ambição nos próximos anos.
Com informações da CNN Brasil


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