Um estudo conduzido no âmbito
do Programa de Pós-Graduação em Bioinformática (PPg-Bioinfo), do Instituto
Metrópole Digital (IMD/UFRN), investigou a relação da creatina – composto
essencial para a produção de energia nas células – em disfunções renais. A pesquisa
foi publicada na semana passada pela revista Nutrients, periódico científico
internacional e de acesso aberto sobre nutrição humana.
A pesquisa pode ajudar
cientistas a compreenderem, dentre outras coisas, os efeitos da creatina –
naturalmente presente em alimentos como carne vermelha e peixe – em pacientes
com disfunções renais como insuficiência renal crônica, nefropatia diabética, entre
outras.
Segundo Matheus Medeiros,
autor principal da pesquisa, a discussão a respeito se a creatina afeta a
função renal é ampla e existe há muitos anos. No Brasil e em outros países,
inclusive, a ingestão de suplementos de creatina deve ser supervisionada por profissionais
de Saúde, dado o receio quanto aos efeitos que a substância pode ocasionar aos
rins em pessoas com doenças renais.
“Mas já foi comprovado que a
creatina não afeta a função renal de pessoas saudáveis, restando-nos descobrir
o seu efeito em pacientes com condições renais patológicas. Então nós
pesquisamos sobre a creatina em diferentes contextos, como o dos transplantados
renais, e buscamos entender se a substância possivelmente melhora ou não a
aceitação do novo órgão”, conta Medeiros.
Os resultados da pesquisa,
frutos de experiências in silico (quando feitas por
computação), traz indícios positivos para o uso de creatina em pacientes
transplantados. “Geralmente, há casos em que o corpo da pessoa rejeita aquele
novo rim, mas vimos que a creatina pode ter interações metabólicas que favorecem
uma maior taxa de aceitação do novo órgão”, comenta Medeiros.
Diante disso, o estudo tem
potencial para beneficiar outros trabalhos científicos, especialmente os que
promovam experiências com animais ou experimentos clínicos.
Também assinado pelos
professores da UFRN Bento Abreu, do Departamento de Morfologia (MOR) e João
Paulo Lima, do PPg-Bioinfo, o estudo pode ser conferido na íntegra e
gratuitamente por meio do site.
Bioinformática
O trabalho, realizado durante
cerca de um ano, é um capítulo da tese de Matheus Medeiros, estudo que deverá
ser concluído já no próximo mês. A pesquisa foi permeada por técnicas e
conhecimentos oriundos da Bioinformática – campo cada vez mais utilizado em
todo o mundo para investigar causas como predisposição genética a doenças,
impactos de mutações no funcionamento celular, entre outras.
No IMD, o PPg-Bioinfo é o
centro de referência na área e promove publicações de diferentes estudos de
repercussão nacional e internacional, cujas descobertas são aplicáveis em
campos diversos, como Biologia e Medicina.
Avaliado com nota 5 pela
CAPES, o programa de pós-graduação é um dos poucos do Brasil a contarem com um
mestrado e doutorado na área. Também já foi responsável por conduzir
conferências internacionais, como o Natal Bioinformatics Forum, e outros
eventos científicos, inclusive abertos à comunidade em geral.
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