Desde o início do conflito
armado entre a Rússia e a Ucrânia, a Suécia e a Finlândia, países da União
Europeia próximos da fronteira russa, alertam sua população sobre a
possibilidade de uma guerra.
As duas nações escandinavas
abandonaram décadas de não alinhamento militar e aderiram à Otan, a aliança
militar ocidental, depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Paralelamente a esta campanha preventiva, os governos alemão e finlandês
informaram, nesta segunda-feira, que estão “profundamente preocupados” com o
rompimento de um cabo submarino de telecomunicações que liga os dois países, e
falaram de “guerra híbrida” e da ameaça russa.
“Está em curso uma
investigação minuciosa, a nossa segurança europeia não está apenas ameaçada
pela guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, mas também pelas guerras
híbridas travadas por atores maliciosos”, escreveram os ministros das Relações
Exteriores dos dois países numa declaração conjunta transmitida por Berlim. Apesar
das pressões, a Alemanha, que é o segundo fornecedor de armas para a Ucrânia,
depois dos Estados Unidos, declarou que não enviará mísseis de longo alcance
Taurus para a Ucrânia. Berlim entregará apenas 4 mil drones guiados por
inteligência artificial (IA) às forças de Kiev.
A Suécia enviou a seus
cidadãos um folheto com o título “Om krisen eller kriget kommer” (“Em caso de
crise ou guerra”), escrito pela Agência Sueca de Contingências Civis (MSB). O
panfleto contém recomendações práticas para lidar com crises como guerras, desastres
naturais e ataques cibernéticos. O documento de 32 páginas descreve, utilizando
ilustrações simples, as ameaças que a Suécia enfrenta e dá conselhos sobre como
armazenar alimentos e água, localização de abrigos antiatômicos e fontes de
informação confiáveis
Documentos desse tipo já foram
enviados no passado pelo governo sueco à população. Esta é a quinta versão,
desde a Segunda Guerra Mundial. A anterior, distribuída em 2018, foi a primeira
a ser divulgada depois da Guerra Fria (1947-1991). Em março, o Banco da Suécia
fez um apelo às autoridades e aos estabelecimentos bancários para que
facilitassem a utilização de cédulas em dinheiro, temendo uma paralisia da
sociedade em caso de crise ou guerra. Os suecos praticamente não usam mais
cédulas no dia a dia, apenas cartões de crédito, débito e transferências
digitais para pagar as compras e fazer pagamentos.
“A situação de segurança é
grave e todos precisamos reforçar a nossa resiliência para podermos enfrentar
as crises e, em última análise, a guerra”, disse Mikael Frisell, diretor do
MSB, num comunicado de imprensa. A ajuda militar e econômica a Kiev é uma
prioridade para Estocolmo, que reitera que um conflito armado, dada a ameaça
representada pela Rússia, não pode ser descartado.
Perigo real ou precaução?
Embora a Suécia envie
regularmente tropas para operações de manutenção da paz, o país não esteve
envolvido em conflitos armados desde as Guerras Napoleônicas, no fim do século
18 e começo do 19. Durante as próximas duas semanas, 5,2 milhões de folhetos –
também disponíveis online em árabe, farsi, ucraniano, polonês, somali e
finlandês – serão enviados à população sueca.
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