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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

SAÚDE PÚBLICA: Sesap orienta municípios do RN sobre manejo de intoxicação por metanol

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informou nesta quinta-feira 2, por meio de nota, que não há registro de casos confirmados ou suspeitos de intoxicação por metanol no Rio Grande do Norte até o fim da tarde. Segundo a pasta, toda a estrutura de vigilância, incluindo o Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), segue em monitoramento.

Sesap emitiu a primeira nota técnica de orientação aos municípios potiguares, em alinhamento ao Ministério da Saúde. O documento trata da detecção precoce, manejo clínico e notificação imediata de casos suspeitos e confirmados.

A nota é direcionada aos serviços de saúde e aborda desde a definição de casos suspeitos a partir da avaliação clínica até as condutas de tratamento e exames, além da forma de notificação oficial às autoridades sanitárias.

O metanol é um solvente altamente tóxico. A ingestão, frequentemente ligada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, pode causar intoxicações graves. Entre os principais sintomas estão dor abdominal, visão adulterada, confusão mental e náusea, que podem surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão.

Segundo a Sesap, diante desses sinais, o paciente deve procurar atendimento médico no serviço de emergência mais próximo. O profissional de saúde deve entrar em contato com o CIATox da sua região para que seja feita a notificação e a investigação do caso.

O Ministério da Saúde classificou a situação como Evento de Saúde Pública, em razão do aumento de casos registrados, especialmente em São Paulo. Para acompanhar o cenário, foi instalada uma Sala de Situação na quarta-feira 1º, com o objetivo de monitorar os registros em todo o país.

Intoxição por metanol: Brasil tem 48 casos em investigação

O país registrou, até o momento, 48 casos em investigação relacionados à intoxicação por metanol. Esse balanço foi apresentado pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha, em entrevista à imprensa na Sala de Situação, instalada pelo governo federal para monitorar os casos e coordenar as medidas de resposta. 

Ao todo, já foram confirmados 11 casos por meio de detecção laboratorial da presença do metanol por um Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs).

Apenas uma morte decorrente da intoxicação por metanol foi confirmada pelo Ministério da Saúde no estado de São Paulo. Outros sete óbitos estão em investigação, sendo dois em Pernambuco e mais cinco em São Paulo.

Dicas para identificar bebidas falsificadas

  • Verifique a caixa: confira se as grafias estão corretas e se não há erros de impressão.
  • Observe o rótulo da garrafa: ele deve estar intacto e com a grafia perfeita.
  • Examine o lacre da tampa: normalmente é físico, mais duro, soldado ponto a ponto; confira se os pontos estão alinhados.
  • Cheire a bebida ao abrir: o metanol tem odor muito forte, diferente das bebidas alcoólicas originais.
  • Prove com cuidado: o sabor da bebida adulterada é intragável e totalmente diferente do original.

Via: Agora RN

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terça-feira, 26 de agosto de 2025

SAÚDE PÚBLICA: Estudo da UFRN indica que bactéria hospitalar ajuda a conter superfungo; entenda

O universo microscópico de hospitais, muitas vezes invisível, pode estar revelando alianças inesperadas. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), publicada no periódico Frontiers in Fungal Biology, traz à tona uma nova descoberta. De acordo com o estudo, a bactéria Pseudomonas aeruginosa, já conhecida por causar infecções graves, pode, na verdade, ter um papel benéfico ao inibir o crescimento do Candida auris, o superfungo multirresistente que desafia a medicina.

A pesquisa, fruto do trabalho de cientistas como Ana Beatriz Macedo, Danielle Figueredo e o professor Rafael Wesley Bastos, do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFRN e do Grupo de Estudo de Ações em Saúde Única (GEASU-RN), abre uma frente de estudo importante sobre a dinâmica entre microrganismos. “Candida auris foi incluída pela OMS na lista de patógenos fúngicos prioritários”, afirma Rafael Bastos ao explicar sua gravidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) construiu essa lista como esforço global para identificar e classificar os fungos que representam maior ameaça à saúde pública mundial.

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, por sua vez, é igualmente uma das principais causas de infecções hospitalares, sendo capaz de sobreviver em ambientes úmidos e formar biofilmes. Ambos podem coexistir em pacientes, o que torna a descoberta de sua interação ainda mais relevante.

Para desvendar esse fenômeno, a equipe utilizou uma metodologia baseada em experimentos de cultivo onde a bactéria e o fungo foram colocados para crescerem juntos em laboratório. Por meio de técnicas avançadas, como a microscopia de fluorescência, que diferencia células vivas de mortas, a pesquisa confirmou que a P. aeruginosa não mata o fungo, mas freia seu avanço, em um efeito que os cientistas classificam como fungistático. O estudo mostrou ainda que o fenômeno acontece por meio de moléculas secretadas pela bactéria.

Uma das revelações mais interessantes é o papel do ferro nesse antagonismo. Segundo Rafael Bastos, a “briga por ferro” é um mecanismo de defesa comum em nosso organismo contra patógenos. O que a pesquisa da UFRN demonstra é que essa mesma disputa parece acontecer entre os microrganismos. “A P. aeruginosa parece secretar alguma substância que indisponibiliza o ferro do meio de cultura para C. auris, impedindo seu crescimento”, detalha. A adição de mais ferro no meio de cultura foi capaz de reduzir a inibição, reforçando essa hipótese, embora não a elimine por completo, sugerindo que outros mecanismos também estão em jogo.

O estudo não apenas amplia a compreensão das interações microbianas, mas também aponta para direções futuras de pesquisa e o potencial para novas terapias. A equipe agora se dedica a identificar e caracterizar quimicamente as moléculas responsáveis pela inibição, além de investigar o fenômeno em modelos mais próximos da realidade clínica. O professor destaca que a pesquisa pode inspirar novas estratégias de biocontrole ou uso de metabólitos bacterianos como antifúngicos alternativos. Uma promessa significativa na luta contra as infecções hospitalares.

Fonte: Portal da UFRN

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