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quarta-feira, 15 de abril de 2026

CRESCIMENTO: Puberdade começa mais cedo em meninas e acende atenção de especialistas

O início da puberdade é um dos principais marcos do desenvolvimento humano, sinalizando que o organismo está em processo de amadurecimento para a vida reprodutiva. Em meninas, pesquisas indicam que essa fase tem ocorrido cada vez mais cedo.

Dados históricos mostram que, na década de 1840, a idade média da primeira menstruação — a menarca — variava entre 16 e 17 anos. Atualmente, essa média gira em torno dos 12 anos. Segundo Luiz Claudio Castro, presidente do Departamento de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), melhorias nas condições de saúde e nutrição estão entre os fatores que contribuíram para essa mudança.

Outro levantamento, realizado nos Estados Unidos, aponta que o início da puberdade, identificado pelo desenvolvimento das mamas, também se antecipou. Na década de 1960, esse processo começava por volta dos 11 anos; já nos anos 1990, passou a ocorrer entre 9 e 10 anos.

Hoje, considera-se dentro da normalidade o início da puberdade em meninas entre 8 e 13 anos. Entre os sinais estão o crescimento das mamas, surgimento de pelos pubianos e axilares, aceleração do crescimento, mudanças de comportamento e até alterações no odor corporal.

“Definimos puberdade precoce quando os sinais puberais aparecem antes dos 8 anos nas meninas e antes dos 9 anos nos meninos”, explica Castro. A endocrinologista pediatra Paula Baccarini, do Sabará Hospital Infantil, acrescenta que também é considerada precoce a menstruação antes dos 10 anos. “Em alguns casos, a puberdade começa em idade adequada, mas evolui rapidamente, o que chamamos de puberdade rapidamente progressiva”, afirma.

Embora não haja dados consolidados no Brasil, estudos internacionais indicam aumento nos casos após a pandemia. Pesquisa da Universidade de Gênova, publicada no Journal of the Endocrine Society, analisou 133 meninas e identificou 72 casos de puberdade precoce entre janeiro de 2016 e março de 2020 e 61 casos entre março de 2020 e junho de 2021. A média mensal chegou a até quatro novos casos durante o período mais recente.