O presidente da Ucrânia,
Volodymyr Zelensky, voltou a propor uma trégua limitada ao setor energético no
conflito com a Rússia, em uma tentativa de reduzir os impactos sobre a
infraestrutura crítica e conter a escalada militar recente. A iniciativa foi encaminhada
a Moscou por meio dos Estados Unidos, segundo o próprio líder ucraniano.
“Se a Rússia estiver disposta
a cessar os ataques ao nosso setor energético, nós também estamos dispostos a
fazer o mesmo”, afirmou Zelensky em pronunciamento na noite de segunda-feira
(6). O presidente também acusou o Kremlin de ignorar propostas anteriores de
cessar-fogo, incluindo uma possível pausa durante o período da Páscoa.
A proposta ocorre após uma
sequência de ataques direcionados a instalações estratégicas nos dois países.
Nos últimos dias, forças ucranianas atingiram ativos energéticos russos, como a
refinaria da Lukoil em Kstovo, na região de Novgorod, e estruturas ligadas a
oleodutos próximos ao porto de Primorsk, na região de Leningrado. Ao mesmo
tempo, aliados de Kiev teriam pressionado pela redução desse tipo de ofensiva,
diante do impacto da guerra sobre os preços globais de energia.
No plano diplomático,
permanecem abertos os canais de comunicação com Washington. O porta-voz do
Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que tanto Moscou quanto Kiev continuam
dialogando com os Estados Unidos por meios disponíveis. No entanto, afirmou que
as negociações de paz estão, neste momento, paralisadas, citando outras
prioridades na agenda americana.
Apesar da sinalização diplomática, os confrontos seguem intensos no terreno. Segundo a força aérea ucraniana, 77 drones russos foram abatidos na última noite, embora destroços tenham causado danos materiais em diferentes regiões do país. O episódio mais grave ocorreu em Nikopol, na região de Dnipropetrovsk, onde um ataque atingiu um micro-ônibus, deixando ao menos três mortos e 12 feridos.
No dia anterior, bombardeios russos em Odessa resultaram na morte de três pessoas, incluindo uma criança, além de 16 feridos. De acordo com Zelensky, os ataques deixaram milhares de famílias sem fornecimento de energia elétrica. O presidente ucraniano afirmou ainda que, apenas na última semana, a Rússia lançou mais de 2.800 drones, cerca de 1.350 bombas aéreas guiadas e mais de 40 mísseis contra o território ucraniano. Ele voltou a solicitar aos aliados ocidentais o reforço dos sistemas de defesa aérea.
Do lado russo, também há registro de ataques. Na região de Vladimir, drones atingiram um edifício residencial no distrito de Aleksandrovsky, causando a morte de três pessoas, entre elas uma criança. Moscou acusou Kiev de danificar um terminal do Consórcio do Petróleo do Cáspio, em Novorossiysk, no Mar Negro, provocando incêndios em estruturas de armazenamento e transporte de petróleo.
No campo militar, relatos indicam que forças ucranianas teriam destruído uma ponte sob controle russo sobre o rio Dnipro, próximo a Kherson, utilizando drones adaptados para transporte de explosivos — um movimento que pode sinalizar avanço no uso de tecnologia não tripulada em operações estratégicas.
Enquanto isso, o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, afirmou que o país recuperou mais de 480 quilômetros quadrados de território desde o fim de janeiro.
A continuidade dos ataques, mesmo diante de iniciativas pontuais de trégua, evidencia a dificuldade de avanço em negociações mais amplas e mantém o conflito com potencial de impacto prolongado sobre a segurança energética global e a estabilidade geopolítica.
Por O Correio de Hoje

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