segunda-feira, 4 de maio de 2026

VÍRUS SILENCIOSO MATA: Hantavírus provoca mortes e gera temor em navio no Atlântico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou neste domingo, 3 de maio de 2026, pelo menos três mortes relacionadas a um possível surto de hantavírus, a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius. A embarcação, que viajava da Argentina para Cabo Verde, agora é o epicentro de uma investigação global que busca entender a dimensão da infecção e prevenir novas fatalidades, gerando temor entre passageiros, tripulantes e autoridades sanitárias.

Além dos óbitos, um caso de hantavírus já foi oficialmente confirmado, e outros cinco estão sob detalhada investigação, aguardando resultados de testes laboratoriais. A situação acende um alerta sobre a presença e a letalidade deste vírus silencioso, transmitido principalmente por roedores, e o risco que representa em ambientes fechados ou de grande circulação.

O que se sabe sobre o hantavírus?

O hantavírus é uma cepa viral traiçoeira, disseminada por roedores. A contaminação humana ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas virais presentes em fezes, urina ou saliva seca dos animais, suspensas no ar. Embora menos comum, a infecção também pode ser transmitida por mordidas ou arranhões de roedores, conforme alertam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Este invasor invisível pode desencadear duas doenças graves. A primeira, e mais conhecida nas Américas, é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS). Ela se manifesta inicialmente com fadiga, febre e dores musculares, evoluindo para dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. Quando os sintomas respiratórios se instalam, o quadro se agrava, com uma taxa de mortalidade que chega a aproximadamente 38%, segundo o CDC.

No Brasil, a doença se apresenta como a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), de acordo com o Ministério da Saúde. Nas Américas, a hantavirose pode variar desde uma febre aguda inespecífica até síndromes pulmonares e cardiovasculares mais severas e características, culminando em Síndrome da Angústia Respiratória (SARA) em casos extremos.

A segunda forma mais comum da doença globalmente é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), que ataca principalmente os rins. Os sintomas posteriores incluem pressão arterial baixa, hemorragia interna e, em seu estágio mais crítico, insuficiência renal aguda, com consequências devastadoras para os pacientes.

Quantos casos de hantavírus existem no mundo?

A cada ano, estima-se que 150 mil pessoas sejam acometidas pela HFRS em escala global, com a Europa e a Ásia concentrando a maioria dos casos. A China, por exemplo, responde por mais da metade desses registros anuais, de acordo com um relatório dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH).

Nos EUA, os dados mais recentes mostram 890 casos entre 1993, ano em que a vigilância do hantavírus começou, e 2023. O vírus Seoul, uma das principais cepas transmitidas por ratos-noruegueses (ratos marrons), está presente em diversas partes do mundo, inclusive nos EUA, demonstrando a ubiquidade do patógeno.
 O Brasil também enfrenta a hantavirose. Entre 1993 e 2024, o Ministério da Saúde registrou 2.377 casos confirmados de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), dos quais 937 resultaram em óbito. É um dado alarmante que reforça a seriedade da infecção, sendo que 70% dos pacientes brasileiros foram infectados em áreas rurais, onde o contato com roedores é mais provável.

Como o hantavírus é tratado?

A complexidade do hantavírus reside na ausência de um tratamento específico para as infecções. O CDC dos EUA enfatiza a importância de cuidados de suporte para aliviar os sintomas. Isso pode incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica para auxiliar a respiração, uso de medicamentos antivirais e, em situações críticas, até diálise para suportar a função renal.

Pacientes com manifestações graves da doença necessitam de internação em unidades de terapia intensiva, e em alguns cenários, a intubação se faz necessária para garantir o suporte respiratório.

A prevenção, portanto, torna-se a principal arma contra o hantavírus. O CDC aconselha a eliminação de qualquer contato com roedores em ambientes domésticos ou de trabalho. A vedação de possíveis pontos de entrada em porões e sótãos impede que esses animais se abriguem em residências. Além disso, o uso de equipamentos de proteção individual é crucial ao limpar fezes de roedores, evitando a inalação de ar contaminado.

Houve casos recentes de hantavírus?

A ameaça do hantavírus não é uma novidade, e sua letalidade já foi evidenciada em casos notórios. Em fevereiro de 2025, Betsy Arakawa, esposa do renomado ator vencedor do Oscar Gene Hackman, faleceu em decorrência de uma doença respiratória ligada ao hantavírus. Investigadores médicos apontaram que Arakawa contraiu HPS, a cepa mais comum nos EUA, que lamentavelmente levou à sua morte. Ninhos e roedores mortos foram encontrados nos anexos da residência, indicando a fonte da infecção. Registros policiais revelaram que Arakawa havia pesquisado sintomas de gripe e covid-19 nos dias que antecederam seu falecimento, confundindo os sinais da doença.

*Com informações de g1

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